Um navio antes usado para exploração de petróleo e gás agora navega pelos oceanos do planeta tentando desvendar os mistérios ocultos no ambiente menos explorado da Terra. A embarcação R/V Falkor (too) foi adaptada para fazer pesquisas científicas oceanográficas, sob responsabilidade do Schmidt Ocean Institute.
Atualmente, menos de 30% do leito marinho dos oceanos foi mapeado, entre estudos sobre a vida biológica e a cartografia do fundo do mar. Antes de 2020, apenas três pessoas tinham ido até o ponto mais profundo dos oceanos, as Fossas Marianas, com quase 12 quilômetros de profundidade. Para efeito de comparação, 28 astronautas já viajaram para a Lua.
Mais de cem novas espécies foram descobertas em expedições do grupo, como o “Loki, o Pepino-do-mar”, um animal que tem formatos que lembram um par de chifres, iguais ao deus da mitologia nórdica (e do filme da Marvel). Para esse tipo de trabalho é utilizado um ROV (Veículo Operado Remotamente), uma espécie de drone submarino que consegue chegar a mais de quatro mil metros de profundidade e pesa quatro toneladas.
Atracado em Fortaleza, no Ceará, o navio fez exploração do ambiente submarino do Oceano Atlântico e estará no território brasileiro também em 2027.
O Brasil vai sediar o evento da Década do Oceano da ONU (Organização das Nações Unidas) no ano que vem. O encontro será no mês de abril no Rio de Janeiro.

A CNN Brasil visitou o Falkor, nome inspirado no dragão do filme “A História Sem Fim”, para entender os avanços que a ciência pode trazer para a sociedade e como a tripulação de quase 80 pessoas vive e trabalha no mar. O navio, que tem a classificação polar, pode realizar estudos de campo na Antártica e também no Ártico.
Descobertas marinhas
O navio explorou, recentemente, a Dorsal Mesoatlântica para entender a formação do oceano profundo, além de analisar os processos nas zonas de falhas geológicas na região da cordilheira marinha. Essas montanhas podem contribuir para o sequestro de gases do efeito estufa da atmosfera.
A ciência praticada, multidisciplinar, poderá dar uma visão melhor sobre a evolução das correntes marítimas, principalmente a AMOC (Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico), responsável por transportar águas superficiais quentes para o Atlântico Norte, ao mesmo tempo em que move uma massa de água fria para o sul: distribuindo o calor do clima na Terra.
Na região, localizada na faixa da Linha do Equador, entre o Brasil, na América do Sul, e a África Ocidental, há uma falha geológica, rica em um ambiente de encostas cobertas de sedimentos, alimentado por poderosas correntes. Os cientistas acreditam que o local, por mais inóspito que pareça, abriga biodiversidade e ecossistemas marinhos vulneráveis.
Recentemente, a CNN Brasil divulgou que o ROV da embarcação de pesquisa encontrou uma jaqueta a mais de 3.000 metros de profundidade e a 1.700 quilômetros da costa brasileira. Os cientistas esperavam revelar pela primeira vez um mundo desconhecido, mas a realidade confirmou a presença de resíduos jogados por humanos.
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Divulgação científica
O Schmidt Ocean Institute é uma ONG (Organização Não Governamental) dos Estados Unidos, fundada em 2009, pelos empresários Eric e Wendy Schmidt. O primeiro foi um dos fundadores do Google.
A ideia, segundo o instituto, é disponibilizar acesso gratuito à tecnologia de ponta para cientistas ao redor do mundo, incluindo o ROV SubBastian, que pode explorar o fundo do mar.
Todos os mergulhos são transmitidos ao vivo, permitindo que qualquer pessoa do planeta possa acompanhar as possíveis descobertas em tempo real.
