Um encontro pouco comum com quero-queros chamou a atenção nas redes sociais. Em Xangri-lá, no litoral do Rio Grande do Sul, o cirurgião-dentista Ricardo Lopes conseguiu se aproximar das aves, conhecidas por defender seus territórios com gritos e voos rasantes, mesmo na presença de um filhote. Os registros surpreenderam justamente pela tranquilidade dos animais diante de uma situação que costuma provocar reações de defesa.
A aproximação faz parte de uma rotina de observação das aves que frequentam o Condomínio Las Palmas, onde Ricardo costuma acompanhar a movimentação dos animais antes de sair para trabalhar, por volta das 7h30. Além dos quero-queros, ele também registra espécies como joões-de-barro e cardeais, compartilhando os encontros nas redes sociais.
A rotina que aproximou Ricardo de uma família de quero-queros
O contato com as aves faz parte de um hábito mantido pelo dentista, que dedica alguns momentos das manhãs à observação dos animais que circulam pelo condomínio. Com o passar do tempo, os encontros passaram a incluir registros cada vez mais próximos dos quero-queros.
Em ua publicação nas redes sociais, Ricardo aparece próximo de um quero-quero acompanhado de um filhote, sem que a ave adulta apresente sinais evidentes de agressividade. A cena chama a atenção porque, durante o período reprodutivo, a espécie costuma reagir à presença de possíveis ameaças, inclusive de pessoas que apenas atravessam seu território.
Por que os quero-queros protegem tanto os filhotes e o que pode explicar essa exceção?
O quero-quero (Vanellus chilensis) é encontrado em diferentes regiões do Brasil, especialmente em campos, pastagens e gramados urbanos. Uma de suas características mais conhecidas é o comportamento territorialista, que se intensifica durante a reprodução.
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Ao contrário de muitas aves que constroem ninhos em árvores, os quero-queros depositam seus ovos em pequenas depressões no solo, geralmente em áreas abertas. Essa característica deixa ovos e filhotes mais expostos, tornando a vigilância dos adultos importante para a sobrevivência da ninhada.
Quando percebem alguma ameaça, as aves podem emitir gritos insistentes e realizar voos rasantes para afastar intrusos. Essas reações, frequentemente confundidas com ataques, são mecanismos de defesa e não significam que o animal esteja agindo de maneira agressiva sem motivo.
A proximidade com Ricardo pode estar relacionada à habituação, quando animais passam a reagir menos à presença frequente de pessoas que não representam ameaça. No entanto, as imagens não comprovam que as aves reconheçam o dentista ou confiem nele. Mesmo diante dessa tranquilidade, a recomendação é manter distância dos quero-queros, especialmente dos ninhos e filhotes. Caso apresentem gritos de alerta ou voos rasantes, o ideal é se afastar com calma.
