A ascensão da direita ao poder em países das Américas foi impulsionada, de forma decisiva, pelo voto de eleitores independentes profundamente insatisfeitos com os índices de violência e com as condições gerais de vida. A análise é de Silvio Cascione, cientista político e diretor da consultoria Eurasia no Brasil, em entrevista ao WW Especial.
Segundo Cascione, esses governos não assumiram o poder em sociedades que se tornaram majoritariamente de direita de maneira clara e organizada. “Eles governam sociedades polarizadas, com populações insatisfeitas”, afirmou. Para o analista, o que permitiu a conquista do poder foi a capacidade dessas lideranças de atrair o eleitor não engajado politicamente, mas mobilizado pela insatisfação com a segurança pública.
O tema se destaca como o principal ponto de convergência entre os governos de direita que ascenderam ao poder na região. “O tema da segurança é um que traz mais similaridades do que diferenças entre esses países e a maneira como essas lideranças abordam o problema”, disse Cascione. Nesse contexto, o nome de Nayib Bukele, de El Salvador, surge como uma das principais referências para essas lideranças, ainda que seus métodos não possam ser replicados integralmente em países de maior dimensão.
Cascione ressaltou que, nas relações internacionais, a escala importa. “Uma coisa é El Salvador, a outra é um gigante como o Brasil”, pontuou. Ainda assim, o analista avalia que os métodos adotados em El Salvador servem de inspiração, mesmo que não sejam copiados na íntegra. Entre as medidas que tendem a se disseminar está a classificação de facções criminosas como grupos terroristas, o que aponta para um combate mais agressivo e para o encarceramento em maior escala dos envolvidos com o crime organizado.
Outro elemento que deve ganhar força na região, segundo Cascione, é a coordenação mais estreita entre as forças de segurança dos países latino-americanos e os Estados Unidos. Essa cooperação envolveria não apenas forças policiais, mas também militares, com ações combinadas de inteligência e uso de recursos em regiões de fronteira. “Exercícios, esse tipo de ação ou de movimento é algo que se torna mais frequente na região, pode se tornar mais frequente com o envolvimento também do Brasil num esforço coordenado”, afirmou.
WW Especial
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