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Bob Burnquist completa 50 anos: relembre carreira do skatista brasileiro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Bob Burnquist completa 50 anos: relembre carreira do skatista brasileiro

Bob Burnquist, um dos maiores skatistas brasileiros de todos os tempos, completa 50 anos neste sábado (10).

Ele começou a andar de skate aos 11 anos, em São Paulo. Aos 14, já era profissional. Mais de três décadas depois, sua trajetória se confunde com a própria evolução do skate de ação.

Nesse percurso, acumulou títulos, criou manobras, construiu rampas e ajudou a levar a modalidade a públicos que até então pouco tinham contato com ela.

Mas talvez a melhor maneira de entender sua carreira não esteja nos números. Está na relação que construiu com o skate. Para Bob, andar de skate nunca foi apenas competir. É uma forma de pensar, experimentar e descobrir até onde é possível chegar.

A ideia de não desistir apareceu cedo. Quando montou o primeiro skate com o pai, começou também uma relação que atravessaria diferentes fases de sua vida. Com o passar dos anos, o desafio deixou de ser apenas vencer os outros. O principal adversário passou a ser o próprio limite.

Um dos episódios que melhor traduz essa postura aconteceu nos X Games de Austin, em 2015. Com o braço quebrado, Bob competiu depois de receber anestesia e conquistou duas medalhas de ouro. A cena resume uma parte importante de sua história: a disposição de continuar quando seria mais fácil parar.

Fazer antes que alguém faça

Bob também construiu sua reputação pela disposição de experimentar. Ao longo da carreira, criou e reinventou manobras e levou o skate para lugares que pareciam improváveis.

Um dos momentos mais conhecidos foi o 50-50 em um corrimão instalado sobre o Grand Canyon. A imagem acabou se tornando um símbolo de uma carreira marcada pela busca por novos desafios.

Nos X Games, Bob competiu em todas as edições entre 1995 e 2015. Ao deixar a competição, encerrou uma das participações mais longevas da história do evento, com 30 pódios: 14 medalhas de ouro, oito de prata e oito de bronze.

A relação com os X Games, porém, não terminou ali.

Antes das redes, o videogame

A história de Bob também passa por um dos fenômenos que ajudaram a transformar o skate em cultura pop.

Em 1999, ele foi convidado por Tony Hawk para fazer parte do elenco de Tony Hawk’s Pro Skater. A participação aconteceu ainda no primeiro protótipo de demonstração desenvolvido pela Activision, apresentado como um fliperama modificado durante um campeonato na Inglaterra.

Naquele primeiro momento, havia apenas dois skatistas disponíveis para os jogadores: Tony Hawk e Bob Burnquist.

A presença no game fez com que seu nome chegasse a uma geração que talvez nunca tivesse visto uma competição de skate, mas conhecia suas manobras por meio de um controle de videogame. O esporte ganhava uma nova porta de entrada — e Bob se tornava parte dessa história.

DreamLand: quando o sonho vira estrutura

Se existe um lugar capaz de traduzir a maneira como Bob enxerga o skate, é a DreamLand, a megarampa construída em sua propriedade na Califórnia.

A estrutura principal tem 170 metros de comprimento e 24 metros de altura, o equivalente a um prédio de oito andares. É grande o suficiente para permitir que os skatistas atinjam alta velocidade e atravessem um vão de mais de 20 metros.

Mas a DreamLand é mais do que uma pista. Ela nasceu de uma ideia que acompanha Bob há décadas: criar as condições para que aquilo que ainda não foi feito possa ser tentado.

Filho de mãe brasileira e pai americano, Bob cresceu entre duas culturas e encontrou no skate uma linguagem que não depende de fronteiras. A DreamLand, construída nos Estados Unidos, também carrega essa mistura de referências e mantém uma ligação com o Brasil.

Aos 50 anos, Bob já ocupa um espaço que vai além do de atleta. Parte de sua contribuição para o skate brasileiro aconteceu justamente fora das competições: na criação de pistas, na ocupação de espaços urbanos, na formação de novos públicos e em projetos que usam o esporte como ferramenta de transformação social.

Um deles é o Instituto Skate Cuida, que utiliza o skate em iniciativas de desenvolvimento comunitário e está presente em diferentes cidades brasileiras. A proposta amplia a relação do esporte com as comunidades e com os espaços públicos.

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