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USDA eleva estoques de soja e milho dos EUA acima do esperado pelo mercado

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USDA eleva estoques de soja e milho dos EUA acima do esperado pelo mercado

Os estoques de passagem de soja e milho dos Estados Unidos para a safra 2026/27 ficaram acima das expectativas médias do mercado no relatório de outubro do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Os números vieram acompanhados de revisões para cima nas estimativas de produção e produtividade das duas culturas norte-americanas e de aumento dos estoques globais de milho, segundo os dados do relatório de oferta e demanda mundial, divulgado em nesta sexta-feira (09)

No milho, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 46,97 milhões de toneladas, ante 39,79 milhões de toneladas projetadas em setembro. O aumento foi de 7,18 milhões de toneladas, equivalente a 18,04% na comparação mensal.

O volume também ficou acima da média das expectativas do mercado, de aproximadamente 43,13 milhões de toneladas, considerando a conversão da estimativa de 1,698 bilhão de bushels apresentada pela Terra Investimentos.

Na soja, os estoques finais dos Estados Unidos foram projetados em 8,57 milhões de toneladas, contra 8,43 milhões de toneladas no relatório anterior. A revisão representa aumento de 140 mil toneladas, ou 1,66%. O volume também superou a média das expectativas do mercado, de aproximadamente 8,05 milhões de toneladas, calculada a partir da estimativa de 296 milhões de bushels.

Os estoques de passagem representam o volume que permanece disponível ao fim de uma safra para atender ao consumo, às exportações e a outras necessidades no ciclo seguinte.

Projeções mais elevadas podem indicar maior disponibilidade dos grãos e influenciar os preços futuros, embora a reação das cotações também dependa do comportamento da demanda e das condições de produção nos demais países.

Produção norte-americana

Além da revisão dos estoques, o USDA elevou a estimativa de produção de milho dos Estados Unidos para 407,28 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 401,33 milhões de toneladas projetadas em setembro. O aumento foi de 5,95 milhões de toneladas, equivalente a 1,48%.

A produtividade também foi revisada para cima, de 178,5 para 181,2 bushels por acre, avanço de 1,51%. Na conversão para o sistema métrico, os valores correspondem a aproximadamente 11,20 e 11,37 toneladas por hectare, respectivamente. A área plantada permaneceu estimada em 39,18 milhões de hectares, enquanto a área colhida foi mantida em 35,81 milhões de hectares.

A revisão da produtividade foi um dos fatores que contribuíram para a elevação da produção projetada. Como a área plantada e a área colhida permaneceram estáveis, o aumento esperado do rendimento por hectare explica a maior parte da revisão da safra norte-americana.

A Royal Rural também destaca mudanças nas estimativas de oferta e demanda do cereal. O consumo interno dos Estados Unidos foi elevado em 2,54 milhões de toneladas, para 330,34 milhões de toneladas, enquanto as exportações aumentaram de 83,19 milhões para 83,82 milhões de toneladas. Mesmo com o crescimento da demanda projetada, a expansão da oferta foi suficiente para elevar os estoques finais.

No balanço mundial, os estoques finais de milho passaram de 272,1 milhões para 280,44 milhões de toneladas, aumento de 8,34 milhões de toneladas, ou 3,07%. A produção global foi estimada em aproximadamente 1,294 bilhão de toneladas, ante 1,291 bilhão de toneladas no relatório de setembro.

Os Estados Unidos devem produzir 407,28 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, enquanto a China tem estimativa de 307 milhões de toneladas. O Brasil aparece com projeção de 139 milhões de toneladas, e a Argentina, de 55 milhões de toneladas.

Soja dos EUA 

Na soja, a produção norte-americana foi estimada em 124,15 milhões de toneladas, ante 123,42 milhões de toneladas no relatório de setembro. A revisão acrescentou aproximadamente 730 mil toneladas à projeção, alta de 0,59%, segundo os dados detalhados pela Royal Rural.

A produtividade passou de 52,8 para 53,1 bushels por acre, o equivalente a aproximadamente 3,55 e 3,57 toneladas por hectare, respectivamente. A área plantada permaneceu em 35,17 milhões de hectares, enquanto a área colhida foi mantida em 34,76 milhões de hectares.

O USDA também elevou a estimativa de exportações norte-americanas de soja de 45,86 milhões para 46,13 milhões de toneladas. O esmagamento e as perdas foram projetados em 78,7 milhões de toneladas, praticamente estáveis em relação ao mês anterior. Com a oferta maior, a demanda total foi estimada em 124,83 milhões de toneladas, acima dos 124,52 milhões de toneladas previstos em setembro.

Mesmo com o aumento das exportações e da demanda interna, os estoques finais subiram para aproximadamente 8,57 milhões de toneladas, ante 8,43 milhões de toneladas no relatório anterior. A combinação de maior produção e estoques acima das expectativas mantém a disponibilidade norte-americana no radar dos participantes do mercado.

No balanço global, a produção de soja foi estimada em 442,7 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 442,35 milhões de toneladas projetadas em setembro. Os estoques finais mundiais passaram de 124,02 milhões para 124,28 milhões de toneladas, avanço de 260 mil toneladas, ou 0,21%.

A demanda mundial também foi revisada. As exportações globais foram elevadas em 420 mil toneladas, para 192 milhões de toneladas, enquanto as importações aumentaram de 190,42 milhões para 190,82 milhões de toneladas. Apesar do crescimento do comércio internacional, o balanço global aponta para uma pequena expansão dos estoques.

América Latina

Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de produção de soja em 186 milhões de toneladas na safra 2026/27, sem alteração em relação a setembro. O volume representa crescimento de 5,5 milhões de toneladas na comparação com a estimativa de 180,5 milhões de toneladas para a safra 2025/26.

A expectativa de exportações brasileiras permaneceu em 118 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno foi mantido em 69,6 milhões de toneladas. A estimativa de estoques finais, por outro lado, subiu de 36,89 milhões para 37,28 milhões de toneladas, aumento de 390 mil toneladas, ou 1,06%.

A Royal Rural também destaca a elevação das importações brasileiras de soja, projetadas em 1 milhão de toneladas, ante 800 mil toneladas no relatório anterior. O aumento foi de 200 mil toneladas, ou 25%. A revisão contribuiu para ampliar a oferta total estimada para o país, de 224,49 milhões para 224,88 milhões de toneladas.

Na Argentina, a produção de soja permaneceu estimada em 50 milhões de toneladas, enquanto as exportações foram mantidas em 6,45 milhões de toneladas. O relatório reduziu, porém, os estoques finais argentinos de 24,47 milhões para 24,07 milhões de toneladas, queda de 400 mil toneladas, ou 1,63%.

Para o Paraguai, a produção de soja foi mantida em 11,1 milhões de toneladas, abaixo das 12,1 milhões de toneladas estimadas para a safra anterior. O consumo interno foi reduzido em 110 mil toneladas, para 3,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações permaneceram em 7,35 milhões de toneladas.

Considerando Brasil, Argentina e Paraguai, a produção de soja da América Latina foi estimada em 247,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 241,9 milhões de toneladas no ciclo anterior. O aumento de 5,2 milhões de toneladas reforça a importância da oferta sul-americana no balanço mundial da oleaginosa.

Oferta global 

O balanço mundial de milho apresentou uma revisão mais expressiva do que o de soja. Além do aumento de 8,34 milhões de toneladas nos estoques finais, a oferta total global foi elevada de aproximadamente 1,795 bilhão para 1,804 bilhão de toneladas.

A produção mundial foi estimada em 1,294 bilhão de toneladas, enquanto as exportações passaram de 210,08 milhões para 210,72 milhões de toneladas. A demanda total foi revisada de aproximadamente 1,530 bilhão para 1,531 bilhão de toneladas.

Nos Estados Unidos, a expansão dos estoques ocorreu mesmo com o aumento projetado do consumo interno, que inclui a utilização do cereal para ração animal, produção de etanol e outros usos alimentares e industriais. A estimativa para o consumo destinado à produção de etanol subiu de 142,25 milhões para 143,52 milhões de toneladas, enquanto o volume destinado à ração passou de 151,14 milhões para 152,41 milhões de toneladas.

Na Argentina, a produção de milho permaneceu em 55 milhões de toneladas, mas os estoques finais foram elevados de 4,01 milhões para 5,01 milhões de toneladas. As exportações argentinas continuaram projetadas em 38 milhões de toneladas.

O Brasil, por sua vez, manteve a estimativa de produção em 139 milhões de toneladas e as exportações em 43 milhões de toneladas. Os estoques finais brasileiros foram mantidos em 10,6 milhões de toneladas, abaixo dos 14,8 milhões de toneladas estimados para a safra anterior.

Preços

O relatório de outubro do USDA trouxe como principal sinal para os mercados de soja e milho a combinação de maior produção norte-americana e estoques finais acima das expectativas médias. A revisão foi especialmente significativa para o milho, com acréscimo de 7,18 milhões de toneladas aos estoques dos Estados Unidos em relação a setembro.

Na soja, as mudanças foram mais moderadas, mas também apontaram para aumento da produção norte-americana e dos estoques finais. Ao mesmo tempo, a projeção de produção brasileira de 186 milhões de toneladas mantém o país entre os principais fornecedores da oleaginosa no mercado internacional.

O mercado recebeu o relatório do USDA com forte reação negativa para o milho e queda mais moderada para a soja. Em Chicago, os contratos de milho para a safra 2026/27 recuaram mais de 4%, com o vencimento de dezembro de 2026 caindo 4,55%, para 477,50 centavos de dólar por bushel, equivalente a cerca de US$ 188 por tonelada.

De acordo com a análise da Terra Investimentos, o movimento reflete a pressão das estimativas de produção e estoques norte-americanos acima das expectativas do mercado. Na B3, o milho também caiu, mas com menor intensidade, com o contrato para novembro recuando 1,57%, para R$ 68,42 por saca.

Na soja, a reação foi mais contida, apesar de o USDA também ter projetado estoques norte-americanos acima do esperado. O contrato para novembro em Chicago caiu 0,89%, para 1.276 centavos de dólar por bushel, cerca de US$ 469 por tonelada. As perdas ficaram próximas de 0,9% nos demais vencimentos informados, indicando um movimento baixista mais uniforme e menos intenso do que o observado no milho.

No geral, a Terra Investimentos apontou que o relatório reforçou o viés de baixa do milho, diante da perspectiva de maior disponibilidade do cereal nos Estados Unidos. Na soja, embora os números também indiquem oferta mais confortável, a reação dos preços foi relativamente moderada.

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