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Oferta de leite volta a crescer e deve pressionar preços no 4º trimestre

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Oferta de leite volta a crescer e deve pressionar preços no 4º trimestre

A retomada sazonal da produção de leite no Brasil deve aumentar a pressão sobre os preços do mercado lácteo no quarto trimestre de 2026.  A avaliação é da StoneX, em seu relatório trimestral de perspectivas.

Segundo a consultoria, a demanda segue resiliente, mas a maior disponibilidade de matéria-prima tende a empurrar para baixo os preços de derivados como UHT, muçarela e leite em pó.

Durante boa parte do ano, o preço do leite pago ao produtor foi sustentado pelo bom desempenho dos derivados. Em julho e agosto, ficou próximo de R$ 2,88 por litro, patamar acima do observado no mesmo período de 2025.

Em setembro, porém, os sinais mudaram. Mais leite disponível e derivados mais fracos passaram a pressionar o mercado spot, e a StoneX espera que o movimento seja repassado gradualmente aos pagamentos ao produtor ao longo do último trimestre.

O quarto trimestre é tradicionalmente o período em que a oferta nacional de leite se recupera de forma mais consistente. A produção no Sul já vinha melhorando no terceiro trimestre, e o retorno das chuvas em grande parte do restante do país favorece a disponibilidade de forragens. O inverno teve volumes de chuva acima da média em várias regiões, o que ajuda a produção nos últimos meses do ano.

O crescimento, no entanto, é mais lento do que o do ano passado. A captação de leite no segundo trimestre avançou 1,0% sobre o mesmo período de 2025, ante alta de 10,2% um ano antes. Para a StoneX, os fundamentos indicam um balanço de oferta menos confortável do que o de 2025.

Do lado do consumo, o desempenho é relativamente positivo em 2026. Mesmo depois do forte aumento da produção em 2025, os derivados conseguiram se manter em patamares favoráveis durante boa parte do ano, o que, segundo a StoneX, sugere que o mercado já absorveu o volume extra. A desaceleração recente da inflação geral pode dar algum suporte ao consumo, embora o ambiente macroeconômico ainda peça cautela.

A intensidade da queda dos preços, afirma a consultoria, dependerá da capacidade da demanda de acompanhar o aumento sazonal da oferta. Como o balanço está aparentemente mais ajustado do que em 2025, qualquer desvio na produção tende a ter impacto maior sobre o mercado.

O fenômeno climático pode alterar o quadro de forma diferente em cada região. No Nordeste e no Centro-Sudeste, a menor chuva e as temperaturas mais altas podem reduzir a produção de leite e comprometer a oferta de forragens suplementares. No Sul, o excesso de chuva favorece as pastagens, mas aumenta o risco de eventos extremos que afetem a captação, a infraestrutura das propriedades e a produção de alimentos.

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