A população de Israel vai às urnas no dia 27 de outubro para a primeira eleição nacional desde o ataque do Hamas de 2023, que matou mais de 1.200 pessoas no país e desencadeou uma guerra que destruiu a Faixa de Gaza.
Pesquisas de opinião indicam derrota do atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Ainda assim, não está certo qual bloco conseguirá sair vitorioso em meio a um sistema político complexo e fragmentado.
Os eleitores votarão em partidos ou coligações, e não diretamente nos candidatos. Cada partido lista os candidatos por ordem de “prioridade” de quem irá assumir as cadeiras, no caso de vitória da legenda nas urnas. Quanto mais sênior e importante no partido, mais no topo da lista aparece o candidato.
Conheça quem são os principais nomes na eleição de Israel
Benjamin Netanyahu

Benjamin Netanyahu é o atual primeiro-ministro de Israel, líder do partido Likud.
Ele nasceu em 21 de outubro de 1949, em Tel Aviv, e viveu com a família nos Estados Unidos durante alguns anos da infância e juventude.
Netanyahu integrou as Forças de Defesa de Israel entre 1967 e 1972, alcançando a patente de capitão na unidade de elite “Sayeret Matkal”.
Após concluir o serviço militar, voltou aos EUA, onde obteve diplomas em Arquitetura e Administração de Empresas pelo MIT, passando a trabalhar em uma consultoria.
Ele volta a Israel em 1976, após a morte de um irmão que comandava a Operação Entebbe, para resgatar passageiros israelenses de um voo sequestrado em Uganda.
Netanyahu foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1996, permanecendo no cargo até 1999. Mais tarde, em 2009, foi eleito novamente e, após reeleições, permaneceu como premiê até 2021.
Então, foi eleito novamente no final de 2022 e permanece até hoje como primeiro-ministro, concorrendo à reeleição.
Gadi Eisenkot

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot é um dos principais adversários de Netanyahu nestas eleições. Ele perdeu um filho na Faixa de Gaza e dois sobrinhos.
Defensor de uma linha dura em segurança, tenta se mostrar como alguém com origem humilde e cujos sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as persistentes acusações de corrupção contra ele.
Eisenkot é o segundo de nove filhos de imigrantes marroquinos. Foi criado em Tiberíades e Eilat, longe dos tradicionais centros de poder e influência de Israel.
Na carreira militar, ascendeu pelas fileiras da Brigada Golani até se tornar chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, cargo que ocupou entre 2015 e 2019 após ser nomeado pelo próprio Netanyahu.
Ele entrou para a política em 2022 sob a liderança de outro ex-chefe das Forças Armadas, Benny Gantz. Juntos, passaram a integrar o gabinete de guerra de emergência formado por Netanyahu após os ataques de 7 de outubro.
Com o passar do tempo, Eisenkot tornou-se cada vez mais crítico da condução da guerra pelo governo e da ausência de uma estratégia clara, especialmente em relação aos reféns mantidos na Faixa de Gaza.
Naftali Bennett e Yair Lapid
Os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid formaram uma aliança que, apesar de unir lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.
Eles constituíram um governo heterogêneo, composto por partidos liberais, conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A coalizão durou 18 meses.

Naftali Bennett nasceu em 25 de março de 1972. É um milionário do ramo da tecnologia que já se mostrou favorável à anexação da maior parte da Cisjordânia ocupada, dizendo, inclusive, que a criação de um Estado palestino seria suicídio para Israel, citando razões de segurança.
Ele é filho de imigrantes americanos e foi comandante no Exército israelense.
Bennett batizou seu filho mais velho em homenagem ao irmão de Netanyahu, Yoni, que foi morto em uma operação israelense para libertar passageiros sequestrados no aeroporto de Entebbe, em Uganda, em 1976.
A ascensão de Bennett na política israelense se deu em 2013, ao promover uma renovação no partido pró-colonização e atuar como ministro da Educação, da Economia e também da Defesa durante a gestão de Netanyahu.
Assim como o atual premiê, Naftali Bennett fala inglês fluentemente com sotaque americano e passou parte de sua infância nos Estados Unidos, onde seus pais estavam em licença sabática.
Enquanto trabalhava no setor de tecnologia, estudou direito na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Em 13 de junho de 2021, a coalizão que derrotou Netanyahu tomou posse, e Bennett assumiu como primeiro-ministro. Ele anunciou a dissolução do governo em junho de 2022.

Yair Lapid nasceu em Tel Aviv em 1963. Integrante de uma família de destaque, aventurou-se na atuação, roteiro, música e até pelo boxe amador antes de se tornar mais conhecido pelo público israelense como jornalista que migrou para a política.
Após trabalhar brevemente na imprensa escrita, ele migrou para a televisão em meados da década de 1990, apresentando um dos maiores programas de entrevistas da época.
No entanto, em 2012, Lapid mudou de rumo, seguindo os passos de seu pai — também jornalista que se tornou político.
Ele fundou um novo partido político, chamado “Yesh Atid” (Há um Futuro, em tradução livre), e posicionou-se como “voz centrista” da classe média israelense, concentrando-se em questões internas.
Em 2013, integrou o governo de Netanyahu como ministro das Finanças, mas foi demitido em menos de dois anos e tornou-se uma das principais vozes da oposição.
Em 2014, também fez parte do Gabinete de Segurança do país durante o conflito na Faixa de Gaza.
Em 13 de junho de 2021, Lapid assumiu os cargos de Ministro das Relações Exteriores e primeiro-ministro “alternativo”.
Um dos principais feitos como chanceler foi a organização da Cúpula do Negev, na qual os principais representantes diplomáticos dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein, do Marrocos, do Egito e dos Estados Unidos se reuniram no sul de Israel pela primeira vez, em março de 2022.
Com o anúncio da dissolução do governo em 2022, Yair Lapid se tornou primeiro-ministro interino.
Avigdor Lieberman

Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa, já foi assessor e aliado de Netanyahu.
Ele nasceu em 5 de junho de 1958, no território da União Soviética que hoje é a Moldávia. Quando jovem, trabalhou como operador de bagagem em aeroporto e segurança de bar.
Serviu nas Forças de Defesa de Israel e possui bacharelado em Relações Internacionais e Ciência Política pela Universidade Hebraica de Jerusalém.
Lieberman pertencia originalmente ao partido Likud, de Netanyahu, mas deixou a legenda para fundar o partido Yisrael Beitenu (“Israel é a Nossa Casa”) em 1999, atraindo outros falantes de russo com sua pauta secularista e seu discurso duro contra os palestinos.
Entre 2001 e 2004, ocupou cargos como ministro da Infraestrutura e do Transporte nos governos de Ariel Sharon.
Nos anos seguintes, participou de outros governos, incluindo como ministro das Relações Exteriores de Netanyahu em 2009.
Mais tarde, em 2015, assumiu o cargo de ministro da Defesa. Com uma postura ainda mais linha-dura que a do premiê, ele deixou o governo de Netanyahu em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando com palestinos em Gaza, e, desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos da administração federal.
Yair Golan

Yair Golan nasceu em 14 de maio de 1962 e lidera os Democratas.
Ele foi aclamado como herói em Israel após correr, por iniciativa própria, para a região próxima à Faixa de Gaza na manhã do ataque de 7 de outubro de 2023 e resgatar pessoas de um festival de música invadido pelo Hamas.
Golan é ex-major-general das FDI (Forças de Defesa de Israel), tendo atuado no Exército por 37 anos, e foi pesquisador militar no The Washington Institute em 2017.
Anteriormente, atuou como vice-chefe do Estado-Maior das FDI.
Segundo a biografia do Washington Institute, ele é bacharel em Ciência Política pela Universidade de Tel Aviv e mestre em Administração Pública pela Universidade de Harvard.
Além disso, formou-se tanto na Escola de Comando e Estado-Maior das FDI quanto na Escola de Guerra do Exército dos EUA.

