O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, foi criticado por lideranças judaicas após publicar na quarta-feira (7) um texto sobre os ataques do Hamas contra Israel, que completaram três anos.
Em sua declaração, no site oficial da prefeitura, Mamdani afirmou que “este dia marca três anos desde os horríveis crimes de guerra de 7 de outubro. Naquele dia, o Hamas matou mais de 1.100 israelenses e sequestrou outros 251. Lamentamos junto aos nossos muitos amigos e vizinhos que ainda carregam o peso dessa perda inimaginável“.
No texto, o prefeito também acusa Israel de cometer um “genocídio devastador” na Faixa de Gaza, matando “mais de 74 mil palestinos, incluindo mais de 21 mil crianças“.
“Esse sofrimento se intensificou a cada bomba israelense lançada sobre ambulâncias que aguardavam do lado de fora de hospitais, a cada ataque de drone contra um prédio residencial e a cada remessa de ajuda alimentar barrada em uma passagem de fronteira. Muitos nova-iorquinos enfrentam essa dor insuportável, e nós compartilhamos esse luto”, escreveu Mamdani.
“Três anos depois, devemos nos recusar a aceitar um mundo onde a ocupação e o apartheid persistem, onde crimes de guerra ficam impunes e onde nosso governo federal mantém sua cumplicidade a cada remessa de armas. Para honrar os mortos, devemos lutar por um mundo no qual todas as pessoas possam viver com liberdade, segurança e dignidade”, completou ele.
O trecho gerou revolta em algumas pessoas da comunidade e de lideranças judaicas.
Jonathan Greenblatt, CEO da ADL (Liga Antidifamação), em uma publicação no X, fez duras críticas ao prefeito, afirmando que: “Em momento algum você menciona a palavra “judeus”. Em 7 de outubro, agressores liderados pelo Hamas assassinaram civis, cometeram violência sexual, mutilaram corpos e fizeram reféns. Você está instrumentalizando um dia destinado a lamentar o pior massacre de judeus desde o Holocausto para reciclar seus habituais argumentos antissionistas.”
.@NYCMayor, not once do you say “Jews.” On Oct. 7, Hamas-led attackers murdered civilians, committed sexual violence, mutilated bodies and took hostages. You are weaponizing a day meant for mourning the worst massacre of Jews since the Holocaust to recycle your usual antizionist talking points. The city with the largest Jewish population outside Israel deserves a mayor who can honor the dead without exploiting them.
— Jonathan Greenblatt (@JGreenblattADL) October 7, 2026
Zohran Mamdani não respondeu às críticas até o momento da publicação deste texto.
Israel marca três anos do 7 de outubro com cerimônias e protestos
Três anos após o minuto exato em que começou o dia mais mortífero da história de Israel, o país marcou a sombria data com uma série de cerimônias, memoriais e protestos em mais de 400 locais.
Às 6h29 da manhã do dia 7 de outubro de 2023, homens armados liderados pelo Hamas invadiram comunidades israelenses ao longo da fronteira com Gaza, matando mais de 1.200 pessoas e levando 251 reféns para o enclave. Entre os mortos havia crianças, mulheres, idosos e famílias inteiras.
A comemoração começou com um momento nacional de silêncio no horário em que o ataque teve início. Ao meio-dia, famílias enlutadas e grupos de protesto civis de base realizarão um minuto nacional de reflexão, com a participação de diversos hospitais públicos, municípios, universidades e empresas privadas.
Eventos memoriais também ocorrerão no local do festival Nova, na Floresta de Re”im, onde mais de 370 pessoas foram assassinadas e 44 foram sequestradas. Comboios de protesto e manifestações adicionais são esperados em todo o país ao longo do dia.
Na quarta-feira à noite, uma cerimônia memorial nacional será realizada em Tel Aviv, com dezenas de milhares de pessoas esperadas para comparecer. O evento é organizado pelo movimento “Kumu” (“Levantem-se”, em hebraico), que representa sobreviventes do 7 de outubro e famílias de vítimas, e será apresentado pelo ex-refém Eli Sharabi e pela atriz Shani Cohen.
Israel realizou seus memoriais oficiais de Estado na segunda-feira. “Mesmo três anos após o início da guerra — quando o Estado de Israel está mais forte do que nunca — as terríveis horas do ataque de Simchat Torah permanecem gravadas em nós”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, fazendo referência ao feriado judaico em que o ataque ocorreu.
Em uma reunião de gabinete realizada um dia depois, Netanyahu antecipou mais guerra pela frente, apesar de um acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA ter ficado paralisado há um ano. Ele afirmou que Israel matou “4.000 dos 6.000” militantes que se infiltraram em Israel em 7 de outubro de 2023. “Vamos alcançar todos eles”, disse ele, em meio a ataques israelenses quase diários em Gaza. Desde o início da guerra, mais de 74.000 palestinos foram mortos em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde palestino.
Em contraste com as cerimônias oficiais, a maioria dos eventos de comemoração de quarta-feira são iniciativas populares, organizadas por sobreviventes e vítimas do ataque de 7 de outubro, incluindo o October Council e o movimento Kumu.
Comissão da ONU aponta genocídio em Gaza com ataques de Israel a crianças

