Diante de eventos climáticos extremos, como o El Niño, o setor de saneamento busca ampliar e reforçar a infraestrutura para universalizar os serviços até 2033.
A Asfamas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento) sustenta que a indústria de materiais para saneamento contribui diretamente para sistemas mais resilientes, por meio de produtos adequados, aliados à correta especificação, instalação e manutenção.
Dessa forma, redes mais estanques, confiáveis e resistentes a condições adversas contribuem para ampliar a vida útil dos sistemas de saneamento e reduzir a frequência de intervenções e manutenções.
Para Edson Silveira Sobrinho, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da associação, a sustentabilidade da infraestrutura precisa considerar o que acontece ao longo de sua vida útil.
“Um material mais durável pode significar menos substituições, intervenções e consumo de recursos por décadas. No saneamento, qualidade e durabilidade têm impacto econômico, ambiental e social”, afirmou à CNN.
Ainda segundo o diretor, a resiliência do sistema deve começar pela infraestrutura já existente.
“Quanto mais confiável, estanque e durável for uma rede, menor a exposição a perdas e falhas durante eventos extremos. A indústria pode contribuir com materiais, tecnologia e conhecimento técnico para preparar o saneamento para esse novo cenário climático”, finalizou Edson.
Além disso, o setor também defende a redução das perdas de água ao longo do sistema de distribuição, considerada uma condição indispensável para avançar na universalização.
Sancionado em 2020, o marco determinou que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90%, à coleta e ao tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.
Segundo um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados, em junho deste ano o Brasil desperdiçou cerca de 40% de água tratada antes que ela chegue às torneiras das casas.
Para a Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), a redução significa fazer melhor uso de uma infraestrutura que já existe e dos recursos que são investidos para produzir e distribuir água.
“A meta de chegar a 25% de perdas até 2033, representa um ganho importante de eficiência e sustentabilidade para todo o setor”, afirmou Christianne Dias, diretora-presidente da entidade.
Segundo Christianne, enfrentar esse problema exige investimentos em modernização das redes, tecnologia, medição e gestão.
Dos 27 estados, 16 (Espírito Santo, Mato Grosso, Bahia, Amazonas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rondônia, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Sergipe, Acre, Maranhão, Pará, Roraima e Alagoas) perdem mais água que a média nacional, que ficou em 39,53%.
No caso de Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), os níveis das perdas na distribuição ultrapassam os 55% do volume distribuído.
Durante o processo de abastecimento de água, podem ocorrer perdas por vários motivos, como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados.
Esses desperdícios trazem impactos negativos ao meio ambiente, à receita e aos custos de produção das companhias, o que deixa mais caro o sistema como um todo, prejudicando, em última instância, os clientes.
Dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) mostram que a água potável perdida poderia abastecer toda a população do Rio Grande do Sul (10,6 milhões de pessoas) por no mínimo cinco anos.
Do ponto de vista das concessionárias, o diretor de engenharia e novos negócios da Norte Saneamento, Bruno Ravaglia, afirmou que a medida de redução das perdas é uma das “mais concretas” que o saneamento tem, envolvendo disciplina e eficiência no dia a dia da operação.
“Num cenário de secas mais longas, a água que já foi captada e tratada é justamente a que não pode se perder no caminho”, disse.
A Norte Saneamento é dedicada a atender municípios de pequeno e médio porte no Brasil.
Como mostrou a CNN, a empresa descarta participar dos grandes leilões de concessão no momento e pretende manter as aquisições e trocas de controle como principal estratégia de expansão da companhia.
Com 85% do portfólio concentrado na Amazônia Legal, a companhia mira municípios de pequeno porte e regiões de “desinteresse” dos grandes players do setor.
A ideia é olhar especificamente para lugares que costumam não ser contemplados pelos grandes leilões, formando agrupamentos a partir de cidades que funcionam como polos regionais.
A estratégia é adotar um caminho complementar ao dos grandes projetos, com estruturas de menor escala e mais dedicadas às necessidades de cada comunidade.
Com cinco anos de existência, a empresa tem operações em 59 cidades de sete estados: Tocantins, Pará, Maranhão, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso — onde administra cinco concessões adquiridas da Iguá em 2023, nas cidades de Alta Floresta, Canarana, Colíder, Comodoro e Pontes e Lacerda.

