A líder da direita francesa e candidata à presidência, Marine Le Pen, afirmou nesta terça-feira (6) que, se eleita, utilizaria as negociações sobre o orçamento da UE (União Europeia) para pleitear a redução da contribuição líquida da França para 5 bilhões de euros (cerca de 27,9 bilhões de reais).
Ela também declarou que apresentaria propostas sobre o sistema previdenciário francês nas próximas semanas e que as empresas multinacionais seriam tributadas com base na parcela de suas vendas realizadas na França, visando combater o uso de estratégias de otimização fiscal para reduzir a carga tributária.
Marine Le Pen usará tornozeleira e poderá concorrer à presidência em 2027
Um tribunal de apelação da França manteve a condenação de Le Pen por uso indevido de fundos da UE, mas reduziu o período de inelegibilidade, abrindo caminho para que ela dispute a eleição presidencial de 2027.
O tribunal determinou que Le Pen cumpra uma pena de três anos de prisão; no entanto, estabeleceu que dois desses anos sejam cumpridos em regime suspenso e ordenou o uso de tornozeleira eletrônica por um ano.
O tribunal de apelação também reduziu, na prática, o tempo de proibição de concorrer a cargos públicos para apenas 15 meses — tecnicamente uma proibição de 45 meses, com 30 meses suspensos — e aplicou uma multa de 100 mil euros (cerca de R$ 588 mil).
A disputa eleitoral de 2027 já se desenhava como uma das mais incertas e decisivas da história recente da França, mesmo antes do processo de recurso travar — nos últimos 18 meses — a questão sobre se a mulher amplamente considerada favorita poderia sequer concorrer.
Le Pen foi inicialmente impedida de exercer cargos públicos em 31 de março de 2025, quando um tribunal de Paris a condenou, juntamente com outros 11 membros do Reagrupamento Nacional, pelo desvio de verbas do Parlamento Europeu para pagar a equipe do partido na França.
Tratava-se de uma proibição que, de forma controversa, entrou em vigor imediatamente, antes mesmo da análise de qualquer recurso.

