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O Grande Debate: Eleitor ainda se preocupa com escândalos dos candidatos?

Radar Olhar Aguçado(há 31 minutos)
O Grande Debate: Eleitor ainda se preocupa com escândalos dos candidatos?

O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e a jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos debateram, na quinta-feira (24), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se o “eleitor ainda se preocupa com escândalos dos candidatos?”

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, novos escândalos voltaram a movimentar o cenário político brasileiro. De um lado, revelações ligam Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro, com quem o candidato e sua família teriam viajado em um jato particular.

De outro lado, mensagens atribuídas a uma lobista citam supostos pagamentos relacionados a Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Escândalos nos dois lados da disputa

Ana Amélia Lemos avaliou que a recorrência de escândalos no Brasil acabou tornando o fenômeno algo corriqueiro para o eleitor. “Está tão comum no Brasil, lamentavelmente, um escândalo a cada hora ou a cada dia”, afirmou.

Para ela, o fato de ambos os lados estarem envolvidos em notícias negativas tende a neutralizar o impacto de cada revelação individualmente. Segundo Ana Amélia, para a maioria do eleitorado, que já tem sua escolha consolidada, esses episódios “praticamente não vão contaminar” a decisão de voto.

A analista ponderou, no entanto, que pequenas oscilações nas pesquisas eleitorais podem ocorrer em função do impacto momentâneo de cada escândalo.

“O resultado final do primeiro turno vai ser exatamente uma caixinha de surpresas”, disse, reconhecendo a imprevisibilidade do comportamento do eleitor nos dias que antecedem a votação.

Paixão versus razão na decisão do voto

José Eduardo Cardozo adotou uma perspectiva mais analítica, recusando a ideia de tratar o eleitor como uma massa homogênea. Para ele, há um grupo de eleitores que já está “blocado” — ou seja, votará em determinado candidato independentemente do que aconteça —, seja por afinidade ideológica, seja por aversão ao adversário.

“Isso é uma blocagem, diria que é imutável”, afirmou.

Cardozo destacou, porém, que existe um segmento de eleitores ainda suscetível a mudanças, embora esse grupo também seja influenciado por vieses cognitivos e passionais. “O eleitor não é uma máquina racional”, disse.

“Há estudos que mostram que, muitas vezes, o voto se define mais pela paixão do que pela razão.” Ele também fez uma distinção entre os dois escândalos em pauta: enquanto um atinge diretamente o candidato, o outro envolve um familiar. “Esse escândalo atinge este, este atinge a família e o outro quer que investigue”, pontuou, ressaltando que essa diferença nem sempre é percebida ou valorizada pelo eleitor médio.

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