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Análise: Estratégia de Trump para Midterms rejeita o que eleitores querem

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Análise: Estratégia de Trump para Midterms rejeita o que eleitores querem

Existe uma maneira simples de entender a situação aparentemente difícil dos republicanos antes das Eleições de Meio de Mandato nos Estados Unidos.

Novas pesquisas da CNN/SSRS mostram que os eleitores têm uma noção cada vez mais clara do que desejam. E o presidente Donald Trump não pode — ou não quer — atender a essas expectativas.

O país anseia por alívio econômico. As pessoas consideram excessivos os custos de alimentos e de moradia. O aperto ficou ainda maior na quinta-feira (24), quando as taxas de juros de financiamento imobiliário ultrapassaram 7%.

Com seus salários perdendo poder de compra mais rapidamente, os americanos estão ainda mais irritados com uma das principais causas desse cenário: a guerra no Irã.

Até mesmo eleitores republicanos estão perdendo a confiança no conflito, em meio à disparada dos preços da gasolina e do diesel.

Além disso, os cidadãos estão cada vez mais receosos quanto aos avanços da Inteligência Artificial.

Não é para menos, dadas as recentes advertências de líderes do setor de tecnologia de que suas criações poderiam ameaçar a humanidade.

No entanto, em relação a essas três questões — e a muitas outras —, Trump propõe um programa que é exatamente o oposto do que a maioria dos americanos deseja.

Ele evoca uma “era de ouro” econômica que só ele consegue enxergar. Ele insiste, falsamente, que foi responsável por reduzir drasticamente os preços dos alimentos.

Quanto à inflação, a culpa é atribuída a Joe Biden — que deixou a presidência há 19 meses.

Isso explica o cenário político de pesadelo para os republicanos.

Apenas 27% dos entrevistados em uma pesquisa da CNN/SSRS realizada nesta semana demonstraram confiança na condução da economia por Trump.

Uma parcela igualmente pequena considerou boas as condições econômicas.

É caso para ter pena dos republicanos em situação vulnerável, pois dois terços dos americanos ouvidos afirmaram que a economia é “extremamente importante” para o seu voto em novembro.

As pesquisas da CNN também mostram que três quartos dos americanos não acreditam que o presidente tenha um plano para sair de uma guerra que está prestes a entrar em seu oitavo mês.

Na quarta-feira (23), em discurso na Assembleia Geral da ONU, ele confirmou essa percepção.

Ele revelou estar oscilando entre tentar “aniquilar” o Irã ou fechar um acordo com o país.

Sua previsão vaga de que o conflito terminará de alguma forma após as eleições de meio de mandato não tranquilizará os dois terços de americanos que acham que os EUA não estão vencendo.

Apenas 26% aprovam a forma como ele está conduzindo a guerra.

Quanto à IA, Trump mais uma vez escolheu o lado da questão que certamente afastará a maior parcela do eleitorado.

“Quero deixar as coisas exatamente como estão”, escreveu ele nas redes sociais na quinta-feira (24).

Os sete em cada dez americanos que defendem uma maior regulamentação governamental da tecnologia ficarão a ver navios.

Como Trump poderia viver o pior de todos os mundos

Presidentes não devem agir apenas porque algo é popular. Às vezes, adotar uma postura diferente daquela esperada pelos eleitores demonstra princípios e coragem.

Frequentemente, políticos são acusados ​​de consultar as pesquisas de opinião antes de decidir sobre uma questão importante. Esse não é o caso de Trump.

No entanto, ele parece ter esquecido que reduzir preços e evitar novos conflitos foram fatores-chave para o seu apelo em 2024.

Ele cumpriu um terceiro pilar de sua campanha — garantir a segurança da fronteira sul —, mas operações de deportação draconianas podem estar afastando eleitores moderados e hispânicos cruciais.

Adotar sistematicamente posturas que negam a dor sentida pelos eleitores — ou recusar-se a ouvir seus receios, como o de perderem o emprego para a IA — dificilmente é uma receita para o sucesso em um sistema político democrático.

A preferência de Trump por investir seu capital político em questões que lhe são mais caras — como a proposta de um arco do triunfo em Washington — exemplifica o caráter autocentrado de seu segundo mandato.

Isso sugere que ele está isolado em meio a autoridades da Ala Oeste e membros do gabinete que o cobrem de elogios públicos incessantes.

As eleições de meio de mandato durante um primeiro mandato frequentemente resultam em uma rejeição ao presidente percebido como alguém que não cumpriu suas promessas, como o presidente Barack Obama constatou em 2010.

Já as eleições de meio de mandato em um segundo mandato costumam abalar uma presidência que está perdendo o fôlego e revelam um eleitorado que anseia por mudanças, como o presidente George W. Bush descobriu em 2006.

Trump, ao conquistar um segundo mandato não consecutivo após quatro anos fora do cargo, corre o risco de vivenciar o pior desses dois mundos.

Para os candidatos do Partido Republicano que disputam eleições em um clima político desesperador e estão atrelados a um presidente profundamente impopular, essa distinção pouco importa.

Os democratas têm pouco como garantido

A determinação do presidente em se tornar o foco da campanha, apesar de sua impopularidade, facilita para os desafiantes democratas associar seus rivais republicanos — que buscam a reeleição — ao histórico dele.

O democrata Troy Jackson, que disputa a vaga da senadora republicana Susan Collins, do Maine, alertou em julho que os republicanos tratam os eleitores como “idiotas” ao alegarem que a economia vai bem.

“Todos nós temos olhos; vemos nossos contracheques e as contas que temos de pagar, sabemos que estamos sendo prejudicados e também sabemos de quem é a culpa”, disse ele.

O senador Jon Ossoff, que busca a reeleição na Geórgia, criou frases de efeito para associar a guerra ao aumento dos custos.

“Ele prometeu reduzir os preços logo no primeiro dia e também prometeu a paz”, disse Ossoff em um comício em Atlanta, acusando Trump de construir um “monumento a si mesmo enquanto nos afunda ainda mais em uma guerra que ele não sabe como encerrar nem como vencer”.

Os Democratas também criticam duramente os Republicanos por causa dos enormes centros de dados de IA que consomem quantidades imensas de energia, retratando-os como mais uma forma de os amigos de Trump no setor de tecnologia lucrarem enquanto os cidadãos comuns sofrem.

“Não aumentem nossas contas de luz, não contaminem nossa água e contratem mão de obra sindicalizada local. Se não puderem cumprir isso, então vão embora”, disse a prefeita de Scranton, Paige Cognetti — que concorre ao Congresso pela Pensilvânia —, em um recente anúncio de campanha.

No entanto, há sinais de alerta para os Democratas.

Em 2026, ser contra Trump pode ser suficiente. No entanto, as pesquisas mostram que o partido ainda precisa reconquistar a confiança dos eleitores após sua desastrosa campanha presidencial de 2024, quando Biden desistiu tardiamente da disputa e a vice-presidente Kamala Harris foi derrotada por Trump.

A pesquisa mais recente da CNN revelou que os eleitores preferem os Democratas ao Partido Republicano por uma margem de 8 pontos.

Contudo, esse índice é 4 pontos inferior ao registrado no mesmo período do primeiro mandato de Trump, antes de os Democratas retomarem o controle da Câmara nas eleições de meio de mandato de 2018.

Os Democratas no Congresso não disfrutam de maior popularidade que seus colegas republicanos, contando com a aprovação de apenas cerca de um quarto dos americanos.

E, embora os Democratas tenham uma vantagem de 10 pontos na percepção de que melhorariam a política de saúde caso assumissem o poder, os eleitores estão divididos quanto à capacidade do partido de melhorar o custo de vida, a situação financeira dos cidadãos, o combate à corrupção ou a política externa.

Esse cenário se desenrola em meio à intensificação da disputa ideológica interna do Partido Democrata, que opõe progressistas e socialistas democráticos a membros mais moderados, próximos ao centro político.

Uma maioria democrata apertada na Câmara ou no Senado no próximo ano poderia enfrentar divisões semelhantes às que prejudicaram a agenda legislativa da Câmara controlada pelos republicanos nos últimos dois anos.

As pesquisas oferecem apenas um retrato momentâneo da opinião pública.

Além disso, outros fatores — para além do Irã, da IA ​​e da economia — podem surgir na reta final da campanha.

Enquanto isso, os Democratas temem que sua vantagem nas pesquisas não resista a uma enxurrada de recursos provenientes de doadores republicanos e do fundo de campanha de Trump.

Por fim, é impossível prever a verdadeira composição do eleitorado que comparecerá às urnas em 3 de novembro.

No entanto, os problemas de Trump são tão intratáveis ​​que há pouca esperança de uma reviravolta rápida para o Partido Republicano.

E a votação antecipada começa no início e em meados de outubro em muitos estados.

A cinco semanas do pleito, o país está insatisfeito com a liderança atual e ainda não se convenceu de que qualquer substituto amenizará seus desafios fundamentais.

O que está em jogo nas Eleições de Meio de Mandato dos EUA?

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