Uma pesquisa da Real Time Big Data, divulgada nesta quinta-feira (24), aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026, contra 44% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diante de uma disputa tão equilibrada, Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, avaliou, ao CNN Novo Dia, que a realização de debates presidenciais seria benéfica para o país e potencialmente decisiva para o resultado eleitoral.
O especialista avaliou que a estratégia do chamado “voto útil”, adotada pela campanha de Flávio Bolsonaro, está surtindo efeito. Segundo Soller, o eleitor que deseja derrotar o governo Lula passou a convergir para Flávio Bolsonaro após outros nomes testados nas pesquisas — como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) — não terem sustentado crescimento.
“Quem sustentou o crescimento foi o Flávio Bolsonaro”, afirmou Soller, destacando uma alta de quase 10 pontos percentuais desde o início de setembro.
Debates podem mudar o cenário eleitoral
Para Bruno Soller, as campanhas devem avalir essa possibilidade, e há chance de que um confronto entre os dois candidatos finalmente aconteça. “Seria a primeira vez que o eleitor olharia para Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentando diretamente”.
Soller também chamou atenção para o peso dos eleitores indecisos nesse cenário. Segundo ele, os 11% do eleitorado que declaram intenção de votar em branco, nulo ou que não responderam representam um contingente expressivo capaz de alterar o resultado.
“No debate, esse cara me convenceu, acho que é melhor a gente ficar com ele”, exemplificou, simulando o raciocínio de um eleitor indeciso. “Como a margem é muito estreita, isso pode interferir no processo eleitoral”.
Bolsa Família e eleitor de baixa renda
Outro ponto destacado pelo especialista diz respeito ao impacto do reajuste do Bolsa Família, cujo pagamento ocorrerá entre o primeiro e o segundo turnos. O especialista observou que parte do eleitorado mais pobre, com renda de até dois salários mínimos, que tradicionalmente apoia Lula, está atualmente insatisfeita e direcionando seu voto para Augusto Cury.
“A medida do Bolsa Família pode talvez fazer com que esse eleitor que hoje está escolhendo Augusto Cury possa repensar em voltar para o Lula”, analisou. Para Soller, o anúncio do reajuste representa uma tentativa de “represar um pouco da perda” que Lula vinha sofrendo nesse segmento do eleitorado.

