O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta nas últimas duas grandes agendas internacionais antes do pleito de outubro para defender a soberania nacional e reforçar o apelo pela não interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Lula embarca neste domingo (20) para Nova York para fazer um discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22). O petista será o primeiro chefe de Estado a discursar, como ocorre tradicionalmente com o Brasil desde 1955. Em seguida, fala o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar de não ter uma reunião bilateral agendada e nem um pedido formal de qualquer um dos governos para um encontro até o momento, o Planalto não descarta um encontro informal entre os dois presidentes na coxia do palco, enquanto um deixa a área reservada e o outro se prepara para entrar.
Durante a fala do petista, Lula deve defender a soberania nacional e pedir neutralidade nas eleições brasileiras.
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou um relatório no fim de agosto ao Palácio do Planalto, Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em que elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”.
As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo neste sábado (19) e confirmadas pela CNN Brasil.
Segundo a agência, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
O texto cita documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e afirma que a hegemonia dos EUA na América Latina é “prioridade do segundo governo Trump”.
Além da ida a Nova York, ainda antes do pleito de outubro, o chanceler brasileiro Mauro Vieira vai embarcar novamente aos Estados Unidos para participar da reunião de ministros de Comércio do G20, acompanhado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Nessa viagem a Milwaukee, entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, a expectativa é que representantes do Brasil e dos Estados Unidos se reúnam para discutir o tarifaço.
Caso confirmado, será a primeira reunião presencial desde a retomada dos contatos entre os países sobre o tema. Em telefonema no último dia 21, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump decidiram voltar a discutir o tarifaço norte-americano contra o Brasil.
No último dia 31, Marcio Elias e Greer se reuniram remotamente. Desde então, encontros em nível técnico seguem acontecendo.
Os Estados Unidos estabeleceram tarifas de 25% contra o Brasil baseadas em investigações que miravam temas desde o desmatamento a pagamentos digitais. Ainda impôs ao país uma taxa de 12,5% por suposta falta de controle contra importação de produtos oriundos de trabalho forçado.
Discurso de Lula
No discurso da ONU, Lula deve dar recados para dentro e para fora do Brasil. Já é esperado que o presidente defenda o multilateralismo e a soberania. Há expectativa também de que Lula rejeite a interferência de outros governos nas eleições brasileiras.
A fala, prevista para durar entre 15 e 20 minutos, também deve tratar das guerras e de seus efeitos sobre a economia mundial, inclusive na produção e no preço dos alimentos. Lula pretende voltar a defender uma saída diplomática para os conflitos, além de alertar para o avanço da corrida armamentista e para a disputa internacional pelo controle de recursos naturais estratégicos.
Na agenda ambiental, o presidente deve citar a COP30 e apresentar o Brasil como defensor de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico e preservação. A regulação das plataformas digitais também estará no discurso, com referências ao ECA Digital, à proteção de crianças e mulheres e aos desafios impostos pela inteligência artificial.

