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EUA fazem rara visita a Mianmar para libertar ex-fuzileiro detido

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
EUA fazem rara visita a Mianmar para libertar ex-fuzileiro detido

Autoridades dos Estados Unidos fizeram uma rara visita a Mianmar nesta semana para garantir a libertação de um empresário americano que estava detido no país devastado pela guerra desde junho.

A delegação se reuniu com autoridades do governo apoiado pelos militares de Mianmar na capital, Naypyidaw, na terça-feira (15), segundo um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

O encontro foi um dos mais significativos entre os EUA e Mianmar desde que os militares deram um golpe de Estado em 2021, derrubando o governo eleito de Aung San Suu Kyi e mergulhando o país em uma guerra civil e em uma situação de ruína econômica.

“Nesses contatos, a delegação dos EUA garantiu a libertação do cidadão americano detido Adam Castillo”, disse o porta-voz em comunicado. O representante não informou quem fazia parte da delegação nem com quais autoridades de Mianmar eles se reuniram.

Os governantes de Mianmar vêm intensificando os esforços para obter reconhecimento internacional após realizarem eleições organizadas no início deste ano que instalaram o chefe da junta, Min Aung Hlaing, como presidente.

A votação foi amplamente denunciada por críticos como uma farsa, mas a junta esperava convencer parte da comunidade internacional a retomar o contato com a nação do Sudeste Asiático após anos de isolamento e sanções impostas depois do golpe.

Castillo, um ex-fuzileiro naval americano que administrava uma empresa de segurança e gerenciamento de riscos em Mianmar, na capital comercial Yangon, foi preso em 11 de junho no aeroporto internacional da cidade.

Mianmar acusou-o de usar sua posição como chefe da Câmara de Comércio Americana para fazer lobby em Washington, informou a agência de notícias Reuters.

No entanto, seus apoiadores classificaram as acusações como “infundadas” e relacionaram sua detenção a uma disputa com um empresário de Mianmar.

“Adam ficou detido por 97 dias em Mianmar porque empresários corruptos fizeram acusações infundadas contra ele para promover seus próprios interesses empresariais e políticos”, disse sua irmã, Amanda Castillo, em comunicado.

“Mal posso esperar para receber meu irmão de volta em casa, mas sei que será um momento agridoce para ele. Ele tinha grandes esperanças de estreitar as relações entre os EUA e Mianmar e tem o mais profundo respeito pelo povo birmanês, entre os quais viveu por muitos anos.”

Ela agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao vice-presidente JD Vance pelo trabalho em prol de sua libertação.

A organização sem fins lucrativos americana Global Reach disse que também trabalhou para garantir a liberdade de Castillo. Segundo a ONG, ele foi preso ao retornar da Malásia, onde promovia seu novo livro sobre suas experiências em Mianmar durante o golpe militar de 2021.

“Estamos muito felizes em ver Adam voltando para casa e somos gratos pela colaboração e pelos esforços do governo Trump. Integrantes do governo Trump trabalharam discretamente nos bastidores para garantir a libertação de Adam”, disse Mickey Bergman, diretor-executivo da Global Reach.

“Também somos gratos à liderança de Mianmar pela cooperação e pela decisão de permitir que Adam retorne para casa com segurança e para junto de sua família.”

Mianmar afirmou na quarta-feira que Castillo foi deportado “com o objetivo principal de manter relações bilaterais amistosas” entre Mianmar e os EUA.

Os Estados Unidos e a maioria dos países ocidentais não reconhecem o governo apoiado pelos militares como os líderes legítimos de Mianmar.

A política mais popular do país, Suu Kyi, de 81 anos, continua detida, enquanto os governantes militares seguem travando uma guerra civil catastrófica, enviando colunas de tropas em incursões violentas, incendiando e bombardeando vilarejos, massacrando moradores, prendendo opositores e obrigando jovens homens e mulheres a ingressar no Exército. A Organização das Nações Unidas e outros grupos de direitos humanos acusaram os militares de crimes de guerra.

Os EUA, o Reino Unido e a União Europeia impuseram sanções aos militares e buscaram limitar o contato com seus representantes no cenário internacional. Washington e a maioria das capitais ocidentais já não mantêm no país embaixadores plenamente credenciados, um desprezo diplomático que há muito irrita os generais que governam Mianmar.

O Departamento de Estado afirmou em seu comunicado que os EUA “mantêm contatos regulares com as autoridades em Naypyidaw sobre questões que afetam os interesses americanos”.

Durante esses contatos, os EUA “têm e continuarão a levantar a necessidade de cessar a violência, permitir o acesso humanitário e libertar presos políticos como parte dos esforços para criar condições para uma paz duradoura”, disse o porta-voz.

Analistas afirmam que os militares de Mianmar já estão usando a libertação de Castillo para demonstrar o aumento do contato internacional.

“A libertação foi apresentada desde o início como um gesto diplomático, e não como a conclusão de um processo legal”, disse Richard Horsey, consultor sênior para a Ásia do International Crisis Group.

“Min Aung Hlaing nunca escondeu que quer reabrir um canal com Washington… Libertar um americano que estava detido por causa de uma disputa empresarial não lhe custa nada e lhe garante uma narrativa de boa vontade, além de um motivo para autoridades americanas conversarem com ele.”

Desde a eleição, Min Aung Hlaing iniciou uma ofensiva diplomática para normalizar as relações, especialmente com os países vizinhos da Ásia. Na semana passada, ele se reuniu com líderes do Camboja em Phnom Penh, após uma visita semelhante ao Vietnã.

Em seu novo papel como presidente, Min Aung Hlaing fez uma série de viagens ao exterior, incluindo para Índia, China, Rússia, Laos, Tailândia, Cazaquistão e Belarus, em busca de maior legitimidade e reaproximação, além de investimentos estrangeiros necessários.

“É uma sequência de aceitação diplomática que ele não poderia ter obtido antes da eleição”, disse Horsey. Mas Min Aung Hlaing “não ofereceu nada de substancial”, acrescentou.

“Naypyidaw está acumulando apertos de mão e apresentando-os como reconhecimento; o teste é se alguém vai pedir algo em troca.”

Até os EUA parecem ter reduzido a pressão sobre Mianmar nos últimos anos. Em julho de 2025, Washington retirou algumas sanções impostas a aliados da junta de Mianmar e a suas empresas. O relator especial da ONU para Mianmar na época, Tom Andrews, classificou a medida como “uma mudança chocante na política dos EUA que corre o risco de fortalecer a junta militar de Mianmar e seus apoiadores”, uma vez que as empresas retiradas da lista de sanções estavam envolvidas no comércio de armas.

Mais tarde naquele ano, o governo Trump encerrou o status legal temporário concedido a cidadãos de Mianmar nos EUA, argumentando que eles poderiam retornar com segurança, e citou as eleições da junta como evidência de uma melhora na situação.

Até mesmo uma carta que alertava Mianmar sobre a intenção dos EUA de impor tarifas ao país foi interpretada por Min Aung Hlaing como um “convite encorajador para continuar participando da extraordinária Economia dos Estados Unidos”. Min Aung Hlaing também pediu que Washington considerasse suspender e flexibilizar as sanções econômicas contra Mianmar.

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