A prefeitura de São Paulo determinou, na manhã desta quinta-feira (17), a criação de um grupo para apurar a possibilidade de intervenção na empresa A2, que opera linhas de ônibus na cidade de São Paulo. A empresa é alvo de uma operação que mira a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo da cidade.
De acordo com a determinação do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o grupo será formado por representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte.
O objetivo é analisar todos os elementos da operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), e apurar a possibilidade de intervir na empresa.
O grupo deve realizar um levantamento de contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte, e, posteriormente, adotar as medidas administrativas e judiciais necessárias.
Em nota, a prefeitura afirma que “não compactua com qualquer irregularidade e continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações”.
Operação e ligação com o PCC
A ação denominada Operação Vectura Corrupta acontece na manhã desta quinta-feira (17). São cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão durante a ação. Até o momento, nove suspeitos foram presos.
Entre os presos estão Júlio Salvador Filho; Claudionor Aparecido Sabino Tomaz; Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; Carla de Paula Muller, esposa de “Granada”, do PCC; Edivania Arruda Botelho Alves; André Cassali; José Ronaldo Alves de Sales; Edson Antonio de Souza; e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL (Partido Liberal).
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), apontado como o operador de algumas dessas empresas de transportes controladas pela facção, também é alvo de mandado de prisão, mas não foi localizado pela polícia.
Pelo menos 12 das 22 empresas que operam no sistema de transporte coletivo da capital paulista são, em tese, controladas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo a investigação do MPSP.
Em síntese, a investigação aponta que a atuação do grupo extrapolaria o tráfico de drogas e envolveria empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde.
Os empreendimentos já foram objeto de investigações anteriores por parte da Polícia Civil e do Ministério Público, inclusive com denúncias já ofertadas.
Veja: Quem é Milton Leite, ex-vereador alvo de operação contra o PCC em SP
Envolvimento da A2 transportes
Julio Salvador Filho é apontado como diretor da A2 Transportes. Ele seria responsável por decidir, junto com Paulo Korek, sobre liberação de pagamentos aos “laranjas”.
Paulo Siqueira Korek Farias é empresário, gestor de empresas de transporte (Translider e A2) e apontado como “testa de ferro” da facção no setor. Também é presidente do Esporte Clube Água Santa.
Em áudios interceptados, Paulo Korek indicou expressamente a conta bancária da A2 Transportes para receber os pagamentos da venda de 63 ônibus da Translider, operação que foi avaliada em R$ 1,2 milhões.
A transação ainda previa o repasse de comissões para José Daniel e outros envolvidos;
A investigação aponta que pagamentos destinados a sustentação dos laranjas eram operacionalizados por meio da A2 e repassados por terceiros, incluindo Wellington Andrade dos Santos (“Moreno”), apontado como operador financeiro de Paulo Korek.
Outro lado
Nota da A2 Transportes representando Paulo Siqueira Korek e Júlio Salvador Filho:
“A A2 Transportes, por meio de seu presidente, Paulo Siqueira Korek, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a ética e a seriedade na condução de suas atividades.
A empresa nega de forma categórica qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), bem como qualquer prática de lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas.
A A2 Transportes esclarece, ainda, que todos os recursos financeiros que ingressam na empresa são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços regularmente prestados. Não existem outras fontes de entrada de recursos financeiros na empresa.
Diante das informações que vêm sendo divulgadas, a empresa está à disposição das autoridades competentes para apresentar documentos e prestar todos os esclarecimentos necessários, contribuindo para que os fatos sejam devidamente apurados.
Para o presidente Paulo Siqueira Korek, o movimento que vem ocorrendo em torno da empresa apresenta, em sua percepção, forte componente político. A A2 Transportes, entretanto, reafirma que seguirá colaborando com as instituições responsáveis pela apuração e respeitando rigorosamente o devido processo legal.
“A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos. Não temos outras fontes de entrada de recursos. Nossa história é construída com trabalho, seriedade e ética. Estamos à disposição para todos os esclarecimentos necessários e confiamos na apuração dos fatos e na Justiça”, afirma Paulo Siqueira Korek, presidente da A2 Transportes.”

