O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na quarta-feira (16), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o ” STF (Supremo Tribunal Federal) vai salvar Alexandre de Moraes”.
A sessão do STF que discutiu a possibilidade de abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes, realizada na terça-feira (15), terminou sem resolução definitiva. O impasse se instalou após o pedido de vista formulado pelo ministro Flávio Dino, deixando o futuro do magistrado indefinido e gerando intensa repercussão na sociedade.
O encontro foi marcado por bate-bocas, acusações entre os magistrados e críticas à condução da sessão pelo presidente do STF, Edson Fachin. O desfecho frustrante — horas de discussão sem qualquer avanço concreto — alimentou a indignação pública e dominou o debate político e nas redes sociais.
Investigação é inevitável diante do clamor público
O empresário Leonardo Bortoletto se mostrou categórico ao afirmar que não acredita que o STF vá “salvar” o ministro Alexandre de Moraes. Para ele, o clamor público por uma solução é latente.
“Não tem um lugar no Brasil que o assunto não seja STF”, afirmou. Bortoletto avaliou que Alexandre de Moraes se tornou politicamente tóxico, independentemente do que venha a ser apurado.
“A aura de corrupção está colocada ao entorno dele”, disse, acrescentando que somente uma investigação rigorosa poderia, eventualmente, reverter essa percepção.
O empresário também ressaltou que a investigação não representaria um ataque à instituição. “Aqui não há uma busca desenfreada por desautorizar o Supremo Tribunal Federal, e sim de investigar membros do STF que, porventura, tenham feito algo que não é digno da cadeira e da toga”, declarou.
Apuração ampla sem prejulgamentos
Já o comentarista José Eduardo Cardozo adotou uma postura mais cautelosa. Para ele, o termo “salvar” já implica um prejulgamento de culpabilidade, o que considera inadequado. “Eu nunca gostei e não gosto de prejulgar nada”, afirmou.
Cardozo defendeu que a questão central não é salvar ou condenar, mas garantir a apuração de todos os fatos atribuídos a qualquer ministro do STF envolvido em irregularidades.
O comentarista foi enfático ao afirmar que ninguém deve estar acima ou abaixo da lei. “O Supremo tem que garantir isso para a sua própria credibilidade”, disse. Para Cardozo, a instituição tem o dever de ouvir testemunhas e conduzir uma investigação isenta, sem direcionamentos acusatórios prévios.
“Há irregularidades, nós temos que, pura e simplesmente, apurar. É dever no Estado de Direito que se faça isso, sem pré-julgar, mas também sem colocar nada debaixo do tapete”, concluiu.

