O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou, nesta terça-feira (15), que a admissão dos Estados Unidos de que Washington havia implantado armas em órbita ignorava as possíveis consequências de um conflito e ameaçava a estabilidade a longo prazo das atividades espaciais.
“Em busca de seus interesses próprios e restritos, Washington está disposto a ignorar completamente as consequências catastróficas para a humanidade de qualquer conflito armado em órbita”, disse a porta-voz do ministério, Maria Zakharova, em um comentário publicado no site da instituição.
Zakharova afirmou que a presença de armas dos EUA no espaço coloca em risco as perspectivas de exploração espacial.
“Criam-se riscos enormes para inúmeros processos socioeconômicos na Terra, dos quais o bem-estar das pessoas depende diretamente”, disse ela.
O secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, disse em uma conferência perto de Washington, D.C., na segunda-feira (14), que os Estados Unidos possuíam “armas de controle espacial em órbita capazes de defender a Força Conjunta contra ações hostis de adversários”.
A declaração foi a admissão mais contundente feita por uma autoridade dos EUA sobre a existência de armas americanas no espaço, em meio à crescente tensão espacial com a Rússia e a China.
Zakharova descreveu a fala como parte das tentativas de “desviar a atenção mundial das próprias ambições agressivas dos EUA no espaço”, incluindo acusações “absurdas” de que Moscou estaria desenvolvendo armas antissatélite.
“A moratória sobre testes… de mísseis antissatélite, promovida pelo chamado ‘Ocidente coletivo’, está repleta de hipocrisia, pois, na realidade, não afeta o uso de armas que os EUA já possuem e não se aplica a outros tipos de sistemas antissatélite que Washington busca desenvolver”, disse ela.
A porta-voz afirmou que resoluções coautoradas pela Rússia, visando proibir a implantação de armas espaciais e garantir a transparência no uso do espaço, seriam apresentadas à Assembleia Geral da ONU no próximo mês.

