Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostra que a desconfiança do brasileiro em relação ao STF (Supremo Tribunal Federal) cresceu dez pontos percentuais no último mês, em meio à crise que assola a Corte. Segundo os dados, 56% não confiam no Tribunal, ante 46% registrados no mês de agosto.
O índice dos eleitores que responderam que “confiam muito” caiu para 9%, contra 18% no levantamento anterior. Outros 30% dos entrevistados afirmaram que “confiam pouco” na instituição, número que era de 33% no mês passado. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Do total de entrevistados, 5% não sabem ou não responderam.
Moraes x Mendonça
A sondagem mediu a percepção do eleitorado sobre a disputa pública envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Para 37% dos entrevistados, Mendonça age de forma correta no embate, que tem como pano de fundo a condução das investigações sobre o Banco Master.
Por outro lado, 16% disseram que Moraes age corretamente na disputa interna. A pesquisa aponta ainda que cresceu desde agosto o índice dos que avaliam que o STF é o Poder mais atingido pelo caso Master, embora a percepção geral seja de que atinge todos os Poderes.
No cenário político, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado se afastar de Moraes, ao mesmo tempo em que critica publicamente Mendonça. Já o candidato de oposição Flávio Bolsonaro (PL) defende o afastamento de Moraes e busca aproximação com Mendonça.
Percepção por espectro político
A desconfiança variou para cima na maioria dos estratos políticos. No grupo dos eleitores independentes, a taxa seguiu a tendência geral da pesquisa: 65% dizem não confiar na Corte, ante 50% que respondiam o mesmo no levantamento de agosto.
Entre o eleitorado bolsonarista, o índice permanece como o mais elevado, embora venha caindo desde o início do ano. Neste mês, 69% “não confiam” no Supremo, contra 73% em agosto. O percentual de desconfiança deste grupo chegou a ser de 83% em março.
Já entre os lulistas, a taxa oscilou de 27% para 30% que não confiam na Corte. A principal alteração neste segmento, no entanto, ocorreu na confiança absoluta: os eleitores governistas que dizem “confiar muito” no STF caíram de 41% em agosto para 23% no levantamento atual.
Metodologia
A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas de todo o território nacional, entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
A pesquisa contratada pelo Grupo Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03607/2026.
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