Últimas

Cientistas jogaram soda cáustica no oceano. Resultados surpreenderam ao mostrar elevação da capacidade de absorver o excesso de CO2

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Cientistas jogaram soda cáustica no oceano. Resultados surpreenderam ao mostrar elevação da capacidade de absorver o excesso de CO2

Cientistas nos Estados Unidos deram um passo importante na luta mundial contra as mudanças climáticas ao soltar soda cáustica no oceano. O experimento mostrou que é possível aumentar a capacidade do mar de absorver o excesso de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera de forma controlada e sem danos ao meio ambiente.

Os resultados do projeto LOC-NESS (Locking Ocean Carbon in the Northeast Shelf and Slope) foram apresentados pelos pesquisadores da WHOI (Woods Hole Oceanographic Institution) durante a conferência Ocean Sciences Meeting, na Escócia.

Soda Cáustica

A técnica utilizada é chamada de Aumento da Alcalinidade do Oceano (OAE) e, na prática, é como dar um “antiácido” ao mar.

Isso acontece porque a acidez do oceano aumenta com a poluição, reduzindo sua capacidade de absorver gases do efeito estufa. Então, quando são adicionadas substâncias alcalinas (que combatem a acidez), a água volta a absorver o CO2 do ar de forma natural.

Três navios participaram do teste sobre o aumento da alcalinidade do oceano (OAE) no Golfo do Maine, como parte do Projeto LOC-NESS • Daniel Cojanu, Undercurrent Productions, Woods Hole Oceanographic Institution

Apesar dos resultados terem sido apresentados neste ano, o teste foi realizado em agosto de 2025, em águas federais, no Golfo do Maine.

Na ocasião, os pesquisadores soltaram na água hidróxido de sódio de alta pureza (a soda cáustica) junto com um corante vermelho biodegradável, usado para facilitar o rastreamento.

A dispersão durou cerca de seis horas e o acompanhamento no mar durou cerca de cinco dias. Para monitorar as alterações, a equipe utilizou:

  • Robôs submarinos e gliders: Veículos que navegaram sob a água para medir a química do oceano antes, durante e depois da aplicação.
  • Satélites e boias: Monitoraram o deslocamento da mancha alcalina do espaço e da superfície.
  • Coleta manual: Cientistas em um navio de pesquisa analisaram amostras de água e organismos marinhos por cinco dias.
A estudantes Rachel Davitt avalia os impactos biológicos do experimento do oceano • Daniel Cojanu, Undercurrent Productions, Woods Hole Oceanographic Institution

Resultados

Os resultados mostraram que o comportamento da mancha seguiu exatamente o que havia sido previsto pelos computadores.

Assim, a água retornou aos seus níveis normais dentro do prazo esperado e a superfície do oceano realmente passou a absorver mais carbono do ar.

Segundo David “Roo” Nicholson, um dos líderes da pesquisa, os dados coletados servem como um “roteiro” para desenhar sistemas de observação em escala ainda maior no futuro.

Além disso, ao analisar desde bactérias e fitoplâncton até larvas de peixes e lagostas, os biólogos constataram que não houve qualquer impacto negativo sobre a vida marinha na região em que o experimento foi realizado.

Embora a alternativa seja útil e de sucesso, os cientistas enfatizaram que essa tecnologia deve ser usada para somar forças no combate às mudanças climáticas e não substitui a necessidade urgente de redução das emissões de poluentes.