O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou à CNN os planos do Brasil para se transformar num “parceiro de diálogo pleno” da Asean, a Associação dos Países do Sudeste Asiático.
Desde 2022, o país tem status de parceiro de diálogo setorial da Asean mas agora busca avançar para uma condição ainda mais importante para alavancar o comércio com os países da região.
A categoria de parceiro pleno dá a países fora do bloco assento em mais instâncias de diálogo e cooperação com o grupo, ampliando a capacidade de influenciar a agenda e de fechar parcerias comerciais e políticas com os 11 países-membros.
Foi em busca desse avanço que Vieira visitou Singapura e Tailândia, antes de chegar à Índia, onde vai participar neste fim de semana da cúpula do Brics.
A expectativa do governo brasileiro é conseguir o novo status ainda na próxima cúpula da Asean, marcada para novembro nas Filipinas, ou a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assume a presidência rotativa do bloco.
Em entrevista exclusiva à CNN, Vieira disse que a relação com a região é hoje um dos focos centrais da política externa brasileira.
“A relação com o Sudeste Asiático, com os 11 países membros da Asean, é um foco de grande interesse da política externa brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre me dá instruções para aprofundar as relações com o grupo como um todo, com a organização e com cada um dos países membros”, disse o ministro.
O que é a Asean
A Asean reúne 11 países: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste, o mais recente a ingressar no bloco. É a única nação de língua portuguesa no grupo.
Os países da Asean somam um PIB combinado de cerca de US$ 4 trilhões, o que faz do bloco, em conjunto, a quinta maior economia do mundo.
Em outubro do ano passado, o presidente Lula participou da Cúpula da Asean em Kuala Lumpur, na Malásia. Foi a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro foi convidado para o encontro do bloco asiático. Na ocasião, Lula também teve seu primeiro encontro formal com o presidente norte-americano, Donald Trump, às margens da cúpula asiática.
Os números do comércio
Segundo Vieira, o comércio do Brasil com os 11 países da Asean somou US$ 38 bilhões no ano passado, ainda sem contar o Timor-Leste. “E eu creio que o crescimento será exponencial”, disse o chanceler.
Singapura é o principal parceiro comercial do Brasil dentro da Asean, e o segundo de todo o continente asiático, atrás apenas da China.
A corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 10,7 bilhões no ano passado, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões e crescimento de 23,7% em relação a 2024.
Já o comércio com a Tailândia somou US$ 5,7 bilhões em 2025.
A viagem pela região
Vieira esteve em Singapura entre os dias 7 e 8 de setembro, onde se reuniu com o chanceler Vivian Balakrishnan e com a ministra do Meio Ambiente, Grace Fu, além de representantes de cerca de 20 empresas do país.
Na sequência, seguiu para a Tailândia, onde ficou até o dia 10. Foi a primeira visita de um chanceler brasileiro ao país desde 2018.
Em Bangkok, Vieira se reuniu com o vice-primeiro-ministro e chanceler tailandês, Sihasak Phuangketkeow, e com o ministro da Agricultura, Suriya Jungrungreangkit. Uma das prioridades da viagem foi negociar a reabertura do mercado tailandês à carne brasileira, fechado desde 2024.
A agenda também incluiu cooperação em ciência, tecnologia, inovação e segurança alimentar, além do combate ao crime organizado transnacional.
O ministro discutiu com o governo tailandês o aumento das parceiras para combater o tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas, temas sensíveis diante de casos recentes de brasileiros aliciados com falsas promessas de emprego no Sudeste Asiático e explorados em condições análogas à escravidão.
Segundo o Itamaraty, o governo tailandês tem prestado apoio ao Brasil nesses casos, com diálogo consular considerado decisivo em situações de resgate de trabalhadores.

