A pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (9), aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulação de segundo turno para as eleições presidenciais. A CEO do Instituto Ideia, Cila Schulman, analisa o resultado da pesquisa ao CNN 360°.
Ambos os candidatos aparecem com 46% das intenções de voto, enquanto brancos e nulos somam 3,5% e os que não souberam ou não responderam representam 4,5%.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07935/26.
Evolução dos números ao longo dos meses
A série histórica do levantamento revela uma aproximação consistente entre os dois candidatos. Em julho, Lula liderava com 45% contra 40% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 5 pontos percentuais.
Em agosto, essa distância se manteve em patamar semelhante, com Lula atingindo 48,5% e Flávio Bolsonaro chegando a 43%. Na rodada de setembro, Lula recuou 2,5 pontos, enquanto Flávio Bolsonaro avançou 3 pontos, resultando no empate atual.
Cila Schulman, responsável pelo Instituto Ideia, analisou os fatores que explicam esse cenário. Segundo ela, o empate não se restringe à intenção de voto: “Se a gente olhar para o resto da pesquisa, tem vários empates também.”
Ela destacou que Flávio Bolsonaro passou a concentrar o eleitorado que antes votava no ex-presidente Jair Bolsonaro e que os dois candidatos também se encontram empatados nos índices de rejeição.
Eleitorado dividido e sem entusiasmo
Para Cila Schulman, a disputa reflete um país profundamente dividido entre dois nomes que “provocam amores e desamores”. Ela observou que uma parcela significativa do eleitorado vota em um candidato principalmente para impedir a vitória do outro, o que intensifica a polarização.
A analista também apontou que a chamada terceira via não demonstra crescimento expressivo, após um breve movimento envolvendo Augusto Cury após um debate.
Cila Schulman avaliou que a eleição tende a ser decidida por fatores secundários, como abstenção e votos brancos e nulos. “É uma eleição que vai ser resolvida ali na minha visão no detalhe”, afirmou.
Ela ressaltou que o eleitor não está demonstrando grande entusiasmo, por não enxergar novidades relevantes em nenhum dos lados, o que pode elevar esses índices no dia do pleito.
Desafios para os dois lados
A analista apontou que a campanha de Lula ainda não conseguiu converter aprovação de governo em intenção de voto, algo que outros governantes incumbentes realizaram em ciclos eleitorais anteriores.
“O presidente Lula ainda tem, entre o que ele tem de bom e ótimo e de aprovação, um gap com o que ele tem de intenção de votos”, explicou Cila Schulman, acrescentando que esse movimento ainda pode ocorrer, já que seu eleitorado não tem outro candidato no mesmo campo político.
Do lado de Flávio Bolsonaro, Cila Schulman destacou que o candidato passou por crises — entre elas a do áudio com Daniel Vorcaro e a do vídeo de Michelle Bolsonaro — mas conseguiu recuperar os votos perdidos, especialmente entre homens, evangélicos, católicos e jovens.
Por outro lado, ela ponderou que a campanha de Flávio Bolsonaro, embora acerte ao abordar temas econômicos como endividamento e preços nos supermercados, ainda não apresenta soluções claras para esses problemas.

