Pelo menos sete petroleiros foram atingidos dentro e nos arredores do Golfo Pérsico desde a noite de terça-feira (8), no horário local, enquanto Estados Unidos e Irã intensificam os ataques contra embarcações em uma escalada que pode marcar uma nova e perigosa fase da guerra.
A escalada fez os preços do petróleo no mercado internacional ultrapassarem brevemente US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho. O Brent, referência global, chegou a subir 2,3% antes de recuar ligeiramente.
Na noite de terça-feira (8), os Estados Unidos atacaram cinco petroleiros iranianos e afundaram um deles, depois que o Irã lançou mísseis balísticos contra um navio de guerra americano.
Quatro navios-tanque de petróleo bruto no Golfo de Omã e outro perto da Ilha de Kharg, um importante centro de exportação de petróleo iraniano no Golfo Pérsico, foram atingidos, segundo o CENTCOM (Comando Central dos Estados Unidos).
Um dos navios, identificado como M/T Riesco, aparece em chamas e afundando no Golfo de Omã em um vídeo publicado pelo Exército americano no X. Segundo o CENTCOM, as forças americanas ordenaram que as tripulações das embarcações abandonassem os navios antes dos ataques.
O Irã retaliou lançando uma série de mísseis contra a Jordânia, aliada regional dos Estados Unidos. O país afirmou que tinha como alvo a Base Aérea Muwaffaq Salti, uma importante instalação utilizada pelas forças americanas.
O ataque foi ineficaz diante dos sistemas integrados de defesa aérea e antimísseis, segundo um funcionário americano ouvido pela CNN.
O Exército jordaniano informou que suas defesas aéreas interceptaram 20 mísseis balísticos. Dezoito foram destruídos com sucesso, enquanto dois caíram em áreas desabitadas.
Nesta quarta-feira (9), dois petroleiros foram atingidos por drones no Golfo. Um estava na costa de Dubai e o outro, em águas territoriais do Iraque.
Um tripulante morreu em um incidente envolvendo o petroleiro de produtos derivados de petróleo Hercules Star, de bandeira de Gibraltar, enquanto a embarcação estava ancorada na costa de Dubai, informou a Peninsula, empresa responsável pelo fretamento do navio. A companhia não informou a causa da morte.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) havia informado anteriormente que uma embarcação na mesma região foi vista inclinada, indicando que poderia estar fazendo água após ser atingida por um “projétil desconhecido”.
Mais ao norte, um petroleiro de bandeira do Panamá foi atingido por uma fonte desconhecida em águas iraquianas, provocando danos ao casco, segundo o Ministério dos Transportes do Iraque.
O incidente não deixou mortos ou feridos entre os tripulantes, informou o ministério.
Até o momento, ninguém reivindicou a responsabilidade pelos ataques aos dois petroleiros.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), porém, havia advertido “todas as tripulações a bordo de petroleiros nas proximidades dos portos do Kuwait e do Bahrein — que abrigam esses terroristas (americanos) e são parceiros em suas ações hostis — a deixarem imediatamente suas embarcações, estejam elas ancoradas ou atracadas nos portos, pois os navios serão alvos”.
Os ataques americanos ocorreram em resposta às tentativas iranianas de atingir um navio da Marinha dos Estados Unidos nos dois dias anteriores. O navio americano conseguiu escapar dos mísseis e continuava patrulhando as águas da região, segundo o CENTCOM, que acrescentou que “nenhum militar americano ficou ferido”.
A troca de ataques ocorre enquanto os Estados Unidos concentram sua estratégia no aumento da pressão econômica sobre o regime de Teerã, ao mesmo tempo em que realizam operações de escolta para embarcações comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz e mantêm o bloqueio naval aos portos iranianos.
No fim de semana, as forças americanas atingiram três navios-tanque de petróleo bruto iranianos em resposta a uma tentativa do Irã de atacar um porta-aviões e um destróier americano equipado com mísseis guiados.
“Padrão de escalada gradual”
As repetidas tentativas do Irã de atacar navios de guerra americanos e o aumento na “qualidade e quantidade” dos mísseis lançados contra alvos dos EUA na região mostram “um padrão de escalada gradual”, afirmou Hamidreza Azizi, analista sênior sobre o Irã do International Crisis Group, em uma publicação no X.
Durante sua viagem à Colômbia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, advertiu Teerã de que os Estados Unidos responderão sempre que o Irã atacar seus navios militares.
“O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA e, para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, eles perderão petroleiros”, disse Rubio a jornalistas na cidade de Barranquilla.
O Irã também anunciou que vai ampliar sua zona de restrição marítima na região do Golfo Pérsico.
O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, general Hossein Mohebbi, afirmou que a área ampliada começará “aproximadamente na direção de Chabahar”, cidade portuária iraniana no Golfo de Omã, e incluirá “outra parte do Mar Arábico ao longo da rota que leva ao Estreito de Ormuz”.
As coordenadas exatas serão anunciadas posteriormente, segundo o general.
Teerã busca manter influência sobre o trânsito pelo estreito como forma de manter os preços do petróleo elevados e pressionar o governo Trump.
Os preços da gasolina nos Estados Unidos subiram na terça-feira (8) para uma nova máxima em três meses, acima de US$ 4,15 por galão.
Entenda o bloqueio naval dos Estados Unidos contra portos do Irã

