O problema fitossanitário envolvendo os embarques de soja brasileira para a China foi “equacionado”, segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Carlos Goulart. Ele afirmou que houve “ruído” no início do ano entre os dois países em relação aos procedimentos para exportação da oleaginosa, mas que as divergências foram tratadas em reuniões bilaterais.
Em entrevista exclusiva ao CNN Agro News, nesta terça-feira (8), Goulart afirmou que, depois de consenso técnico entre as autoridades brasileiras e chinesas, o foco está em acompanhar os embarques ao longo do ano.
“Nós começamos o ano com um pouco de ruído na exportação [de soja para a China], mas tivemos uma reunião bilateral virtual e [o problema] foi prontamente equacionado (…) O que a gente agora tem que fazer é um acompanhamento e monitoramento dos embarques ao longo deste ano e avaliar com a China como tem evoluído esse processo”, assegurou Goulart.
O secretário esteve com a delegação chinesa na reunião da subcomissão de agricultura da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação), ambiente onde foram definidas as expectativas do lado chinês e do lado brasileiro. Ele ponderou que, no caso da relação bilateral de larga escala entre China e Brasil, é natural que importadores e exportadores identifiquem pontos que podem ser aperfeiçoados nos procedimentos.
Os problemas surgiram em meio ao endurecimento dos procedimentos fitossanitários para a soja brasileira. Em março, a Cargill suspendeu temporariamente as exportações da oleaginosa para a China após mudanças nos procedimentos de inspeção.
Na ocasião, o Mapa afirmou que havia identificado cargas que descumpriam o protocolo fitossanitário assinado com os chineses, principalmente pela presença de sementes de plantas daninhas proibidas pelo país asiático.
A situação ganhou peso porque a China é o principal mercado para a soja brasileira. Mais de 70% da oleaginosa exportada pelo Brasil em 2024 teve o país asiático como destino.
China, principal parceiro na soja e na carne
Goulart lembrou que, apesar dos problemas com a soja e com a cota de carne bovina imposta pelo gigante asiático, a China reconheceu este ano o Brasil livre da febre aftosa sem vacinação e como de risco insignificante para o mal da vaca louca, a BSE (Encefalopatia Espongiforme Bovina).
Os status, segundo o secretário, permitem ampliar as exportações da proteína ao país.
“Em 2026 a China reconheceu o status de BSE no Brasil e foi o primeiro país a reconhecer o nosso status de febre aftosa livre sem vacinação. Com os dois reconhecimentos sanitários, permite-se uma discussão da melhoria do acesso da proteína animal à China. Carne com osso, miúdos de carne suína, miúdos de bovinos agora podem ser tratados e discutidos em protocolos sanitários, porque as duas doenças já foram equacionadas com os chineses”, frisou.

