A França deverá registrar uma das menores produções de vinho das últimas três décadas, com a produção de champanhe prevista para cair pela metade este ano, depois que o calor intenso e a seca danificaram as videiras e as uvas, informou o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira.
O segundo maior produtor mundial de vinho registrou seu verão mais quente até então em 2026, enquanto cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelo homem tornam eventos climáticos extremos mais intensos e frequentes, e a Europa passa pelo aquecimento mais rápido entre todos os continentes.
Na sequência da baixa produção em 2024 e 2025, a França tinha uma projeção de produzir 33,9 milhões de hectolitros de vinho em 2026, o equivalente a cerca de 4,5 bilhões de garrafas padrão. Esse volume seria 6% inferior ao do ano passado e 17% abaixo da média do período de 2021 a 2025.
O ministério afirmou que as condições no início do ano haviam sido favoráveis, mas que a seca e as ondas de calor do verão danificaram as videiras e reduziram os rendimentos.
A maioria dos produtores de vinho na França, assim como em outros países europeus, iniciou a colheita das uvas excepcionalmente cedo este ano, informou o ministério.
A França é tradicionalmente o segundo maior produtor mundial de vinho, atrás apenas da Itália, e o maior exportador em valor.
Além do desafio climático, o setor foi afetado no ano passado pelas tarifas dos EUA, e o consumo está no nível mais baixo em mais de 60 anos, já que pressões econômicas, mudanças nos gostos e preocupações com a saúde têm afastado os consumidores.
Agricultura francesa é duramente atingida
A produção de vinho na região de Champagne deve cair 49% em relação a 2025 e ficar 47% abaixo da média de cinco anos.
Prevê-se que a região de Borgonha-Beaujolais registre uma queda de um terço, enquanto o Vale do Loire e Charentes devem apresentar quedas de 12% e 6%, respectivamente.
A produção em Languedoc-Roussillon, região que mais produz vinho na França, deve aumentar 5% em relação à fraca safra do ano passado, graças à melhora nos rendimentos, embora a produção tenha permanecido abaixo da média.
Espera-se que Bordeaux se recupere em 10% em relação a 2025, depois que as chuvas no final de agosto ajudaram a compensar o estresse causado pela seca, mas a produção permanece bem abaixo da média de cinco anos.
A área de produção foi 2,5% menor este ano em comparação com o ano passado, já que o excesso de oferta diante da queda no consumo levou os produtores de vinho a arrancar uma parte de seus vinhedos.
A agricultura francesa de forma geral foi afetada pelas ondas de calor recordes e pela falta de chuva deste verão.
A França anunciou na sexta-feira um pacote de ajuda de emergência para os agricultores de mais de 1 bilhão de euros.
Preço das terras rurais varia de R$ 50 mil a R$ 250 mil por hectare

