O Relatório sobre Antissemitismo divulgado pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) mostra que o país registrou 989 denúncias de atos de ódio contra judeus em 2025.O número representa um aumento de 149% em relação a 2022, que teve 397 casos. O documento também aponta que a maior parte desses ataques está no ambiente digital. Mais de 80% das denúncias são de casos ocorridos em redes sociais.
Para enfrentar esse cenário, a Conib lançou, nesta quarta-feira (2), o projeto “Decodificando o Antissemitismo”. Uma frente permanente com desdobramentos nas áreas de educação, formação e monitoramento.
A primeira grande entrega do projeto institucional será o “Decodificando o Antissemitismo: “Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio”, resultado de uma ampla pesquisa histórica, sociológica e iconográfica, assinado por Anelise Fróes, Matheus Alexandre e Bruno Cardoni Ruffier, com prefácio da historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro.
O livro explica como surgiu o antissemitismo desde a era medieval até os tempos contemporâneos, acompanhado de uma pesquisa sociológica e histórica sobre como surgiram os discursos de ódio contra o povo judaico ao longo da história e como eles se manifestam no momento atual, principalmente na internet.

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Além do Atlas, também foi lançada uma plataforma digital na qual o público poderá acessar o conteúdo integral do livro, navegar pelos diferentes tropos e por murais que reúnem mais de 2 mil imagens.
“A nossa ideia é que, ao ser acompanhado de uma plataforma, onde as pessoas podem acessar podcasts e videoaulas, a gente está trabalhando para educação e para a criação de ambientes mais seguros não só para a comunidade judaica em todo o Brasil, mas também de todas as pessoas”, disse uma das autoras do Atlas, Anelise Froes.
Os autores do Atlas dizem acreditar que dar nome e reconhecer os diferentes tipos de discursos de ódio é uma forma de enfrentamento ao antissemitismo.
“Não é possivel fazer nenhum tipo de enfrentamento de discurso de ódio se a gente não sabe reconhecer. Por isso a importância desse trabalho é que as pessoas entendam o que é antissemitismo quando elas se depararem com antissemitismo, que elas saibam o que fazer, que entendam que a internet não é terra de ninguém, mas a liberdade de expressão das pessoas não pode significar o cometimento de nenhum tipo de crime de ódio seja contra judeus, seja contra qualquer grupo minoritário no nosso país ou em qualquer outro lugar do mundo”, completou Anelise.

