O candidato do PDT à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (2/9) que nunca viu policiais usando câmeras corporais em situações que classificou como “campo de guerra”. A declaração do político foi dada durante sabatina da CNN Brasil, em São Paulo, ao ser questionado sobre o uso dos equipamentos em operações policiais.
Caiado era questionado sobre a atuação das forças de segurança em áreas dominadas por facções e sobre a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025. A ação terminou com mais de 120 mortos e é considerada a operação policial mais letal da história do estado.
Ao falar sobre as câmeras, o candidato afirmou que, na avaliação dele, operações como aquela têm características diferentes de uma ação policial convencional.
“Eu nunca vi um campo de guerra policial e câmera, a menos que seja uma modernidade agora”, disse Caiado. Na sequência, ele afirmou que, naquele tipo de operação, os agentes enfrentam criminosos com armamentos que, segundo ele, seriam superiores aos utilizados pelas forças de segurança.
Operação no Rio
- A Operação Contenção foi deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em uma ação contra integrantes do Comando Vermelho.
- A operação tinha como objetivo cumprir 51 mandados de prisão contra suspeitos de integrar a facção e que atuariam principalmente no Complexo da Penha.
- Ao todo, 67 pessoas foram denunciadas por associação para o tráfico e outras três por tortura. Segundo as investigações, o grupo controlava pontos de venda de drogas, comandava execuções e mantinha homens armados nas comunidades.
- A ação terminou com 122 mortos, sendo 117 suspeitos e cinco policiais. Outros agentes de segurança também ficaram feridos durante os confrontos.
- O número de mortos fez da Operação Contenção a mais letal da história do Rio de Janeiro, superando operações anteriores no Jacarezinho, em 2021, e na Vila Cruzeiro, em 2022.
- Depois da operação, foram abertas investigações para apurar as circunstâncias das mortes e entender os fatores que levaram ao elevado número de vítimas.
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“Cassetete e apito”
Ao ser questionado se manteria programas federais que financiam a instalação de câmeras corporais para policiais dos estados, Caiado afirmou que forneceria os equipamentos aos governos que quisessem utilizá-los. Na sequência, porém, defendeu uma mudança no modelo de policiamento e citou a atuação de agentes de segurança em Londres, na Inglaterra.
“Eu quero ter no Brasil um policial que tenha um cassetete e um apito. Igual lá na Inglaterra”, afirmou.
Segundo Caiado, o objetivo seria chegar a um modelo em que o policial pudesse atuar nas ruas sem precisar necessariamente portar uma arma de fogo. “Não precisa de arma. Ele ia estar com um apito e um cassetete”, disse.
Disputa pela Presidência
Pesquisa Vox Brasil divulgada neste sábado (29/8) mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno: 45,1% x 44,5%.

