O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi ouvido na semana passada pelo juiz assessor de André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em um encontro realizado sem a presença da PF (Polícia Federal). A situação foi considerada inusual por advogados e gerou questionamentos sobre os objetivos da reunião.
Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, no Hora H, o assunto tratado na reunião provavelmente foi o próprio Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. “O assunto provavelmente foi o próprio Andrei Rodrigues”, afirmou Venceslau, destacando que Andrei Rodrigues pode vir a aparecer no curso da investigação em andamento.
Uma investigação repleta de ineditismos
Pedro Venceslau ressaltou o caráter inédito da situação. Segundo ele, é a primeira vez que uma investigação pode atingir simultaneamente o chefe da Polícia Federal — o mesmo órgão responsável por conduzir as apurações — e um ministro do STF, cuja eventual investigação exigiria autorização do plenário da corte para ter início.
“Pela primeira vez a gente tem uma investigação que pode atingir o chefe da Polícia Federal que está fazendo a investigação”, disse o analista.
Delação premiada em xeque
De acordo com apuração do jornalista Caio Junqueira citada por Venceslau, a defesa de Vorcaro alega que a Polícia Federal estaria criando obstáculos para impedir uma delação premiada, possivelmente pelo temor de que o próprio chefe da corporação pudesse figurar entre os investigados.
Segundo essa apuração, a defesa aguarda há 20 dias uma resposta da PF sobre o pedido de uma terceira delação premiada. Venceslau lembrou, no entanto, que existe a possibilidade de a Procuradoria-Geral da República (PGR) acolher a delação independentemente da Polícia Federal.
O analista também levantou questionamentos sobre uma eventual atuação conjunta entre a PGR e a PF, após Paulo Gonet ter tentado interditar uma iniciativa de André Mendonça. A situação, segundo Venceslau, coloca a investigação “num patamar cada vez mais inédito”.

