O Palácio do Planalto preparou uma semana de esforço concentrado com uma série de pautas consideradas positivas para o governo, mas os desdobramentos do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro acabaram ofuscando essa agenda. A análise é de Isabel Mega, no CNN 360°.
Entre os itens previstos para a semana, o governo contava com a tramitação da PEC da Segurança Pública, da PEC do fim da jornada de trabalho 6×1 e com a definitiva suspensão da taxa sobre compras internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”.
Além disso, a visita do ator Leonardo DiCaprio ao Palácio do Planalto também compunha o conjunto de eventos que o governo esperava capitalizar politicamente.
Segundo Isabel Mega, toda essa agenda propositiva acabou sendo ofuscada pelo calor dos acontecimentos relacionados ao caso envolvendo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
“Toda a agenda propositiva acaba sendo ofuscada com o calor dos acontecimentos gravíssimos em relação ao caso e às implicações que as últimas revelações trazem sobre o próprio Supremo Tribunal Federal”, afirmou a analista.
Congresso com atenção voltada ao STF
Dentro do Congresso Nacional, o tema também dominou as conversas. De acordo com Isabel Mega, a atenção dos parlamentares estava voltada para os desdobramentos da situação no Supremo, incluindo a expectativa sobre como seria a sessão da Corte e quais medidas seriam tomadas por Luiz Edson Fachin.
“A cabeça dos parlamentares está em acompanhar qual vai ser o desdobramento, quais vão ser os recados, quando as medidas cabíveis vão ser de fato tomadas, porque ficou tudo no ar”, destacou a analista.
Apesar do cenário adverso, o governo conseguiu ao menos a aprovação da PEC do fim da jornada 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça, o que foi apontado como o principal objetivo da semana para essa pauta.
No entanto, ainda persiste a dúvida sobre a votação no plenário do Senado Federal. Articuladores do governo demonstravam otimismo nas últimas horas, mas a situação seguia incerta.
Competição no noticiário
Isabel Mega destacou ainda que o governo teria condições de capitalizar ainda mais politicamente com sua agenda não fosse a competição no noticiário com o caso envolvendo as conversas entre Vorcaro e o ministro da Suprema Corte.
A analista também mencionou o que descreveu como uma “guerra aberta”, quase como uma “guerra nuclear”, entre a PF (Polícia Federal), a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o ministro André Mendonça, com muitos desdobramentos ainda por vir. Todo esse cenário, segundo ela, embaralhou significativamente o jogo político de Brasília.

