A discussão sobre o fim da escala 6×1 avança no Congresso Nacional e preocupa o setor da construção civil.
Ao CNN Money, Eduardo Aroeira, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), alertou para os impactos econômicos e sociais que a medida pode trazer caso seja aprovada na forma atual.
Ele ressalta que o o setor não teve oportunidade de apresentar seus estudos técnicos ao Senado antes da votação, e que caso aprovada, a mudança prejudicará o cronograma de obras.
“O que nos preocupa é fazer uma discussão de maneira muito açodada”, afirmou.
De acordo com levantamentos da CBIC, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas exigiria a contratação de aproximadamente 300 mil novos trabalhadores para manter os níveis atuais de produção.
Aroeira destacou que o setor já enfrenta sérias dificuldades com mão de obra, evidenciadas pela inflação do custo de trabalho na construção civil, que atingiu quase 9% nos últimos 12 meses — praticamente o dobro do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que ficou em torno de 4,5% no mesmo período.
O representante da CBIC estimou que a redução da jornada elevaria os custos das unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida entre 6% e 8%, e em cerca de 6% nas obras de infraestrutura, como saneamento e pavimentação.
Com o orçamento do programa limitado pelo FGTS, a projeção é de que cerca de 30 mil habitações deixem de ser produzidas por ano, afetando aproximadamente 500 mil pessoas.
No setor de saneamento, o impacto financeiro estimado chega a quase R$ 2 bilhões por ano, custo que, segundo Aroeira, seria repassado às contas de água e luz da população.
Ele acrescentou que as regiões Norte e Nordeste seriam as mais prejudicadas, por já apresentarem o maior déficit histórico em infraestrutura de saneamento básico.
Produtividade e transição sem prazo adequado
Sobre alternativas para evitar informalidade e terceirizações precárias, Aroeira reconheceu que o setor já busca processos mais produtivos, como o sistema de paredes de concreto com formas de alumínio.
No entanto, ressaltou que o investimento necessário é elevado e que as pequenas e médias empresas, que representam 90% do setor, não dispõem de capital suficiente para essa transição no curto prazo.
A taxa Selic mantida em dois dígitos desde 2022 agrava ainda mais esse cenário, dificultando o acesso a financiamentos.
“O problema é que esse processo demanda tempo, e tempo é o que não está havendo nessa discussão”, concluiu Aroeira.

