O Brasil mantém fundamentos que sustentam uma perspectiva positiva de longo prazo, apesar das incertezas eleitorais e dos desafios econômicos que estarão no radar do próximo governo, avaliou nesta terça-feira (1º) Cassiana Fernandez, economista-chefe do JPMorgan para a América Latina.
A declaração foi feita durante o seminário “Rumos da Economia”, do Lide, em São Paulo.
Segundo Cassiana, o país está bem posicionado por produzir bens que têm forte demanda no mercado internacional.
Ela também citou a solidez das contas externas, o nível de reservas internacionais — que funciona como uma proteção para a economia — e a continuidade dos investimentos estrangeiros.
A economista ainda apontou potencial para ganhos de produtividade e expansão da economia nos próximos anos. Para o curto prazo, porém, a projeção é de perda de ritmo: crescimento próximo de 2% em 2026 e de cerca de 1% em 2027.
Cassiana também defendeu a manutenção da meta de inflação em 3% e afirmou que a dificuldade em ancorar as expectativas limita uma queda mais acelerada dos juros.
Segundo ela, um dos fatores por trás das expectativas desancoradas é a dúvida sobre a capacidade de a política fiscal cumprir seu papel.
“Um dos maiores problemas que eu vejo hoje, principalmente na comunicação do Banco Central para não ser mais agressivo no corte da taxa de juros, é exatamente o fato das expectativas de inflação estarem desancoradas”, afirmou.
Para a economista, a previsibilidade da inflação é importante para decisões de investimento e planejamento de empresas e famílias.
Ela também avaliou que o Banco Central tem feito um bom trabalho diante dos diferentes choques que atingem a economia.

