Uma professora de ciência do movimento e engenharia mecânica na Pensilvânia encontrou uma solução para conciliar a maternidade e a atividade física: correr com o carrinho do bebê. Corredora experiente e pesquisadora em tempo integral, Allison Altman-Singles decidiu incluir o filho nos treinos que conseguia encaixar entre as reuniões de trabalho e as sonecas da criança.
Mas, enquanto cientista, ela começou a questionar se a prática era uma boa ideia para si e para o bebê. Além de comprar um carrinho específico para corrida, ela decidiu aprofundar os estudos usando ferramentas do seu próprio laboratório na Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
A conclusão revelou que correr com o carrinho pode não apenas ser seguro, mas também prevenir lesões do atleta, embora exija cuidados especiais para pais e bebês.
A partir de que idade posso correr com o carrinho do bebê?
De acordo com a Academia Americana de Pediatria, a criança precisa exibir bom controle do pescoço e tronco. Este desenvolvimento costuma acontecer até os oito meses de idade, mas a recomendação mínima é de seis meses.
Durante o primeiro ano de vida, o ideal é correr com o carrinho apenas em rotas planas e evitar superfícies acidentadas. Os cintos devem estar sempre bem presos e adequados ao tamanho do bebê.
Carrinhos para corrida e caminhada, geralmente com três rodas e recursos de amortecimento e freio, são os mais indicados. Os preços dos modelos vão de R$ 3 mil até R$ 16 mil.
Posso me machucar correndo com o carrinho de bebê?
O estudo publicado por Allison Altman-Singles, Houn G. Kim e Andrew Friesen no início de agosto mapeou a incidência de lesões entre corredores que empurravam carrinhos de bebê, e aqueles que corriam sozinhos. Todos os participantes eram experientes em corrida mesmo antes de terem filhos, e apresentavam semelhanças em idade, altura, peso e distância percorrida.

Enquanto 30% dos corredores sem carrinho relataram ter sofrido lesão (entre dores, inflamações e fascite plantar), o mesmo só ocorreu com 19% dos que correm com carrinho.
As diferenças percebidas na prática ajudam a explicar o resultado. Ao empurrar o objeto, os corredores costumam inclinar-se levemente para frente, adotar passadas mais curtas e frequentes, e reduzir a velocidade. Com um apoio sutil no objeto, eles também transferem parte das forças que incidiriam em seu corpo: até 16% do impacto vertical passa a ser absorvido pelo carrinho.
Como correr com o carrinho de forma segura
O bacharel em Educação Física e treinador de corrida Paulo Victor Figueira compartilhou no Instagram dicas de postura e movimento que podem ajudar a manter a integridade física durante a corrida.
O corpo deve estar levemente inclinado para a frente, com o abdômen ativado, sem curvar a coluna nem apoiar todo o peso no objeto. Uma mão deve segurar o carrinho por vez, alternando a pegada durante a prática.
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