O Grupo Camari, especializado na produção e industrialização de proteínas animais, está se preparando para uma nova etapa de expansão no interior de São Paulo.
Após três décadas de operação, a empresa pretende elevar a produção dos atuais 18 a 19 toneladas de carne por dia para até 25 toneladas nos próximos anos, movimento que deve exigir novos investimentos principalmente na suinocultura.
Segundo o fundador e diretor do Grupo Camari, José Camilo Mendonça, a indústria já possui capacidade instalada para operar nesse patamar, mas o aumento da produção dependerá da ampliação gradual da estrutura de granjas.
“Nós temos uma capacidade já instalada dentro da Camari hoje para trabalhar com folga até 24, 25 toneladas por dia”, afirmou. Segundo ele, a empresa trabalha com a possibilidade de alcançar esse volume em um horizonte de dois a três anos, embora os projetos estejam sendo estruturados para os próximos cinco anos.
A expansão ocorre em paralelo ao avanço comercial da companhia no interior paulista. A Camari atende atualmente a Rede Savegnago e foi convidada a ampliar a presença para regiões como São Carlos e Araraquara, ambas cidades no interior paulista. A estratégia é avançar pelo centro do estado, mantendo uma operação regional que favoreça a distribuição de produtos resfriados.
A companhia, que possui atualmente inspeção pelo SISP (Serviço de Inspeção do Estado de São Paulo) produz cerca de 18 a 19 toneladas por dia. A expansão comercial deve acrescentar aproximadamente 100 quilômetros à área de distribuição, alcançando novos mercados a partir da região de Ribeirão Preto, Jaboticabal e outras cidades já atendidas.
Produtos industrializados
A estratégia de crescimento da Camari também passa pela mudança no perfil do portfólio, já que a empresa pretende ampliar a participação de produtos de maior valor agregado, como temperados, embutidos, defumados, hambúrgueres e itens porcionados.
Para Mendonça, a mudança acompanha a transformação do comportamento do consumidor, que busca cada vez mais praticidade na alimentação.
“O cliente quer o produto já pronto ou semipronto”, disse. Segundo ele, a tendência favorece produtos que exigem menos preparo e podem ser levados diretamente da gôndola para casa.
A aposta em alimentos processados também tem uma lógica financeira. De acordo com o empresário, a carne in natura está mais exposta às oscilações típicas das commodities, enquanto produtos industrializados podem proporcionar maior estabilidade às margens.
“Os produtos mais industrializados, no sentido de um preparo mais fácil para o nosso cliente, fazem com que você tenha um mercado um pouco mais estável”, afirmou.
A companhia, por isso, prevê novos investimentos em equipamentos para ampliar a industrialização. A linha de produtos temperados voltados principalmente ao churrasco é apontada pelo empresário como uma das que apresentam crescimento.
Verticalização para controlar custos
A estratégia da Camari é baseada em uma forte verticalização da cadeia produtiva. A empresa atua desde a aquisição de grãos utilizados na alimentação dos animais até a produção das proteínas e sua industrialização.
Na suinocultura, a alimentação representa cerca de 70% dos custos da operação, segundo Mendonça. Nesse cenário, a companhia busca reduzir a exposição às oscilações de preços por meio da compra antecipada de milho, sorgo, farelos, aminoácidos e outros insumos.
“Esse é o maior gargalo nosso, trabalhar sempre com custo de produção”, afirmou.
Na bovinocultura, a empresa trabalha com recria suplementada e confinamento. Nesse segmento, além da alimentação, Mendonça aponta o custo de aquisição dos animais como um dos principais desafios.
Segundo ele, a relação entre o preço do bezerro e o valor da arroba do boi tem pressionado a atividade de recria. Diante desse cenário, a estratégia da companhia é elevar produtividade e controlar os custos ao longo da cadeia.
Abatedouro está nos planos
Um dos próximos passos da verticalização poderá ser a entrada da Camari no abate de suínos. Atualmente, os abates são terceirizados, o que significa que a empresa não captura diretamente as receitas geradas pelos subprodutos do processo, como farinhas de carne e de sangue.
Mendonça afirma que um abatedouro próprio ainda depende de escala. A expectativa é que um crescimento de 20% a 25% no volume de abates de suínos possa criar condições para viabilizar o investimento.
“Um abatedouro precisa de escala”, disse em entrevista à CNN Brasil.
Além de reduzir custos, a estrutura própria permitiria à Camari capturar valor de subprodutos que hoje permanecem com os prestadores responsáveis pelo abate.
No caso da bovinocultura, entretanto, o empresário considera que a escala atual não justificaria a construção de uma unidade própria.

Biossegurança como estratégia de negócios
Outro eixo da estratégia da empresa é a produção de suínos com foco em biossegurança. Em 2013, a Camari encerrou duas granjas e construiu uma nova unidade com estrutura voltada para elevar o nível sanitário dos animais.
Segundo Mendonça, a granja é livre de micoplasma, o que reduz problemas respiratórios e, consequentemente, a necessidade de utilização de antibióticos.
A decisão, tomada há mais de uma década, é vista pelo empresário como uma preparação para uma demanda que tende a ganhar força entre consumidores e mercados mais exigentes.”A gente fez uma granja voltada para essa parte de biossegurança”, afirmou.
A estrutura também pode contribuir para uma futura estratégia de exportação. Para isso, entretanto, a Camari precisaria avançar do SISP para o SIF (Serviço de Inspeção Federal), além de ampliar a escala de produção.

Sucessão e crescimento orgânico
A expansão da empresa também está sendo acompanhada por um processo de sucessão familiar. Os filhos de Mendonça, Lucas e Gabriel, já participam dos negócios e estão envolvidos nos projetos de crescimento.
A empresa iniciou suas atividades em 1996, quando Mendonça decidiu deixar uma carreira de 11 anos no setor de fertilidade do solo para investir na suinocultura. O projeto começou com a criação de suínos a campo e posteriormente avançou para a industrialização.
A estratégia, segundo o empresário, sempre foi agregar valor à produção em vez de atuar apenas como produtor de animais.
“Eu sabia que tinha que agregar valor e por isso que tinha que começar uma industrialização”, concluiu.
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