A Corsan prevê cumprir a meta de universalização dos serviços de água e esgoto nos 317 municípios em que atua no Rio Grande do Sul até 2033, afirmou a presidente da companhia, Samanta Takimi, em entrevista à CNN.
Controlada pela Aegea desde a privatização, em julho de 2023, a empresa deve encerrar o ano com R$ 1,6 bilhão em investimentos.
“Conhecemos o desafio, mas estamos trabalhando com todas as nossas forças para que a universalização seja alcançada de forma completa em 2033. E completa não apenas do ponto de vista da infraestrutura, mas também da resiliência”, disse.
A declaração veio após a Agergs (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul) afirmar à CNN que vê com preocupação o cumprimento da meta de universalização no Rio Grande do Sul.
Apesar de ocupar o quinto lugar no ranking nacional de geração de riqueza, o estado gaúcho coleta apenas 34,7% do esgoto gerado e trata cerca de 25,4% desse volume.
Diante desse cenário, a empresa busca triplicar a cobertura atual para cumprir as metas, em um processo estimado em R$ 21 bilhões.
A jornada é longa e o desafio é realmente intenso. Já universalizamos a água nos primeiros dois anos, mas tivemos que fazer uma grande preparação para o processo de universalização do esgoto e para o atendimento à legislação, que é federal e não se aplica somente à Corsan
Samanta Takimi, presidente da Corsan
Entre 2023 e o fim deste ano, a empresa prevê alcançar R$ 6 bilhões em investimentos, valor muito superior à média anual de R$ 450 milhões investido pela antiga estatal.Sancionado em 2020, o marco legal do saneamento já teve quase metade do prazo previsto para a universalização dos serviços de água e esgoto transcorrida, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de cumprimento das metas estabelecidas.
Segundo a executiva, a companhia possui um planejamento que prevê cerca de R$ 15 bilhões em investimentos até 2033, voltados à modernização das redes de abastecimento de água e à expansão da coleta e do tratamento de esgoto nos municípios atendidos.
“A responsabilidade é compartilhada entre a concessionária, a sociedade, o governo e o poder concedente. Somente dessa forma será possível alcançar a universalização”, afirmou.
O presidente da agência, Marcelo Spilki, afirmou não saber se o estado conseguirá cumprir as metas. Segundo ele, há “falta de mão de obra, equipamentos e materiais, além de problemas ligados ao início de uma mudança tão radical na empresa”.
“Hoje, depois de quase três anos e meio de investimentos, chegamos a um percentual de coleta e tratamento em torno de 30%. Ainda é muito inferior aos 90% que precisamos atingir até 2033”, disse.
Ainda durante a entrevista, Spilki afirmou que as eleições e os eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes são fatores que contribuem para a incerteza da ampliação na cobertura do saneamento.
Em relação à fala de Spilki, a presidente da Corsan disse que a preocupação do conselheiro tem lógica, pois “saneamento básico não se faz somente com infraestrutura”.
“As obras não são rápidas. Por isso, precisamos manter um ritmo constante de obras e investimentos, enquanto a população precisa acolher essas infraestruturas para que o ciclo se feche e o benefício efetivamente aconteça”, ponderou.
Segundo a executiva, a preocupação da empresa não se limita à construção da infraestrutura, mas também aos meios necessários para fechar o ciclo do tratamento de esgoto e do fornecimento de água tratada.
Além da expansão da infraestrutura, a empresa passou a investir na resiliência dos sistemas de abastecimento de água diante dos frequentes eventos climáticos que atingem o estado.
“Essa transformação começou muito relacionada ao esgoto, mas agora passa para uma nova fase. O Rio Grande do Sul foi muito impactado pelas mudanças climáticas, e isso nos fez olhar também para a resiliência das estruturas de água. […] Elas precisam estar preparadas para atender a população daqui a 20 anos e para enfrentar as alterações climáticas que já estamos vivenciando”, defendeu.
Ciclo eleitoral
Em relação às eleições que se aproximam, Samanta afirmou que a atuação da Corsan não depende de bandeiras partidárias e destacou que os contratos da companhia atravessarão diferentes ciclos de governo.
“Temos contratos de longo prazo, e vários governos vão se suceder durante esse período. Independentemente de quem estiver à frente do Executivo, nosso compromisso é com a população, com a qualidade da entrega e com a realização das obras. […] Ao final, independentemente da questão política, é isso que qualquer gestor vai querer”, disse.

