O diretor da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, vai se reunir na tarde desta segunda-feira (31) com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O encontro tem como pauta a segurança das informações no sistema jurídico.
A reunião acontece em meio a impasses entre o também ministro da Corte André Mendonça e o chefe da PF. A relação entre ambos se deteriorou nos últimos meses após o vazamento de informações envolvendo os inquéritos que estão sob a relatoria de Mendonça, tema central do encontro de Andrei com o presidente do STF.
Mendonça é o relator, no STF, dos inquéritos que tratam das fraudes no INSS, entre eles, o que apura a suspeita de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação apura se Lulinha teria favorecido a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, para facilitar contratos de produtos medicinais à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde. Além disso, Mendonça também é responsável pelo caso “Dark Horse” e pela investigação sobre a fraude financeira do Banco Master.
Na última semana, Fachin se reuniu com o advogado-geral da União, Jorge Messias. O encontro ocorreu enquanto a cúpula da PF pressionava o órgão para questionar judicialmente decisões tomadas por Mendonça. Como mostrou a CNN, Messias, no entanto, tem defendido que a divergência seja resolvida de forma extrajudicial, sem uma ação contra o ministro.
O atrito se intensificou depois que Mendonça determinou que a Polícia Federal juntasse ao processo sobre as fraudes no INSS os dados brutos obtidos durante a investigação, incluindo a íntegra de informações decorrentes de quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático.
Entre os alvos das medidas estão Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger. As quebras de sigilo haviam sido autorizadas pelo próprio Mendonça, a pedido da PF. O ministro também determinou que eventuais mudanças na equipe responsável pelas investigações fossem previamente comunicadas ao seu gabinete.
A Polícia Federal considera que essas determinações interferem na autonomia investigativa da corporação e procurou a AGU para avaliar uma reação judicial. Messias, entretanto, tem resistido à iniciativa e busca uma saída negociada para o impasse. Além do advogado-geral da União, o ministro da Justiça, Wellington César, também tem atuado como intermediário para distensionar a relação entre STF e a PF.
Em discurso na última sexta-feira (28), Andrei afirmou que a PF atua de forma autônoma, técnica e sem “viés político”. Ele deu a declaração durante a cerimônia de formatura de novos policiais federais, destacando que a corporação atua “sem proteger ou perseguir” e com transparência.
“Nunca se esqueçam, a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venham”, afirmou aos formandos.

