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Nova arma contra a insônia: novo medicamento chega ao Brasil este ano

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A insônia ganhará uma nova opção de tratamento no Brasil, o Dayvigo (lemborexante), medicamento desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e que será comercializado, promovido e distribuído em território nacional pro uma parceria com a brasileira Eurofarma.

A previsão da farmacêutica é que o remédio chegue às farmácias brasileiras ainda neste semestre, com um preço médio estimado em R$ 200.

Segundo a empresa, a diferença do lemborexante está em seu mecanismo de ação, classificado como o primeiro antagonista duplo dos receptores de orexina (DORA) aprovado no Brasil.

Ao contrário dos benzodiazepínicos e dos conhecidos “medicamentos Z” (como o zolpidem), que atuam promovendo uma redução generalizada na atividade do sistema nervoso central, o lemborexante atua de forma muito mais direcionada.

O princípio ativo atua bloqueando temporariamente a orexina, um neurotransmissor natural do cérebro responsável por manter o indivíduo acordado e alerta.

Na prática, a proposta é reduzir o sinal cerebral que contribui para manter a pessoa acordada, facilitando o início e a manutenção do sono de maneira mais próxima do padrão natural e fisiológico do organismo.

A aprovação do Dayvigo pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi sustentada por um programa de desenvolvimento clínico que envolveu 20 estudos de fases 1, 2 e 3.

Nos ensaios de fase 3, o medicamento demonstrou superioridade estatisticamente significativa em relação ao placebo e ao próprio zolpidem de liberação prolongada.

Pacientes tratados com o lemborexante apresentaram redução consistente na latência para o início do sono (tempo para adormecer) e melhora na eficiência e manutenção do sono ao longo da noite.

Outro ponto considerado promissor pelos especialistas é a ausência de insônia de rebote ou de sintomas de abstinência física após a interrupção abrupta do tratamento, o que reduz as chances de desenvolvimento de dependência em comparação com as terapias tradicionais.

Apesar disso, o CFF (Conselho Federal de Farmácia) ressalta que o monitoramento clínico a longo prazo na prática médica diária continuará sendo fundamental para consolidar os dados de segurança sobre abuso do medicamento.

Como todo medicamento ativo sobre o sistema nervoso central, o Dayvigo requer cuidados específicos.

Os estudos clínicos apontam que as reações adversas mais comuns (com incidência superior a 2%) são a sonolência diurna e a fadiga.

Outros efeitos de baixa incidência, mas identificados como respostas associadas à dose, incluem episódios de paralisia do sono (incapacidade temporária de se mover ou falar ao despertar) e alucinações.

O medicamento é estritamente contraindicado para pacientes com narcolepsia e não deve ser associado ao consumo de bebidas alcoólicas ou a fortes indutores e inibidores da enzima hepática CYP3A.

Motoristas também devem ter atenção: pacientes que utilizam a dosagem máxima de 10 mg devem ser alertados sobre o risco de comprometimento individual na capacidade de dirigir na manhã seguinte.

Devido ao seu perfil sedativo-hipnótico, a Anvisa determinou que o Dayvigo seja comercializado sob regras rígidas de controle, enquadrando-o na Lista B1 de substâncias psicotrópicas, o que exige a apresentação e retenção da Notificação de Receita “B” (receita azul) no momento da compra.

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