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ONS prevê acionar mais vezes plano emergencial por excesso de energia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) prevê recorrer com mais frequência ao plano criado para reduzir a geração de usinas de menor porte em dias de excesso de energia no sistema. Em entrevista ao Alta Voltagem, da S, o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, disse que a tendência é que o mecanismo seja acionado com frequência crescente, alcançando entre seis e 12 vezes por ano em 2029 a depender das necessidades.

“A probabilidade é que a gente tenha uma maior frequência de acionamento deste plano. Mas isso não significa que será todo dia (…). Estamos falando em acionar algo entre seis ou 12 vezes por ano”, afirmou.

O plano é usado em situações específicas em que a oferta de energia é elevada, mas o consumo está baixo. Esse descompasso entre geração e demanda pode criar dificuldades para a operação do sistema e obrigar o ONS a reduzir a produção de algumas usinas para preservar a segurança da rede.

Segundo Zucarato, a situação tende a aparecer em dias de consumo atipicamente baixo, como feriados prolongados e recessos de fim de ano. Entre os dias da semana, o domingo é o mais exposto por apresentar menor demanda. O período entre maio e agosto também exige maior atenção.

“Se essa carga baixa está associada a baixa temperatura e céu limpo, a gente tem geração solar a pleno”, afirmou.

Na prática, o consumo pode cair ao mesmo tempo em que a produção solar permanece elevada. Como a geração cresce em ritmo e dinâmica próprios, diferentes do comportamento da demanda, o ONS precisa encontrar formas de retirar energia do sistema.

Cortes já chegaram perto do limite

O operador já enfrentou situações em que praticamente toda a geração que poderia ser reduzida entre os recursos controlados diretamente pelo ONS precisou ser cortada.

Já tivemos episódios de cortar quase 100% da geração possível de ser cortada dentro dos recursos centralizados. Aí a gente precisou criar mecanismos de segurança que mantenham o sistema equilibrado”, disse.

Foi nesse contexto que o ONS passou a olhar também para um conjunto de usinas conectadas às redes das distribuidoras.

Entre elas estão as chamadas usinas do Tipo III, empreendimentos de menor porte que não são controlados diretamente pelo operador da mesma forma que as grandes usinas conectadas à rede básica.

Para essas situações, o ONS criou o chamado plano de gestão de excedentes. Pelo mecanismo, o operador comunica previamente as distribuidoras sobre a necessidade de reduzir a geração dessas usinas.

Em junho, o ONS precisou recorrer pela primeira vez às distribuidoras para realizar esse tipo de corte. O procedimento voltou a ser utilizado em agosto.

Esquema automático deve entrar em operação

O ONS também prepara para o fim deste ano um sistema automático de corte de geração solar distribuída. A ideia é usar o mecanismo em situações mais críticas, quando outras alternativas para reduzir o excesso de energia já tiverem sido esgotadas.

Esse tipo de medida ganhou importância com a expansão acelerada da geração solar conectada às redes de distribuição. Embora essa energia ajude a abastecer o sistema, ela também reduz a demanda atendida pelas grandes usinas durante determinadas horas do dia e pode aprofundar o desequilíbrio quando o consumo está baixo.

A ideia é instalar a proteção na chamada minigeração remota, de forma automática e seletiva, procurando reduzir a geração sem atingir o consumo dos clientes. O desenho em estudo considera a possibilidade de alocar 3 GW de capacidade no Erag, divididos em três estágios de 1 GW cada.

A medida, batizada de Erag (Esquema Regional de Alívio de Geração). O conceito é inspirado no Erac, o Esquema Regional de Alívio de Carga, usado para cortar automaticamente parte do consumo em situações críticas e impedir que uma perturbação se transforme em um apagão de grandes proporções.

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