O avanço dos diagnósticos de Febre do Nilo Ocidental no Brasil acendeu o alerta das autoridades de saúde. Até o momento, o Ministério da Saúde confirmou quatro casos da doença em humanos no país. Dois são em São Paulo e dois em Santa Catarina. Além disso, a pasta investiga um possível caso no Piauí.
Embora o vírus causador da infecção seja uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo, a transmissão em humanos na realidade brasileira é considerada rara e não ocorre de forma contínua ou persistente no país.
Casos confirmados
Em Santa Catarina, foram confirmados dois casos. O primeiro evoluiu para o óbito de uma paciente de 77 anos, moradora de Imbituba. O segundo registro foi de um homem de 56 anos, residente em Caçador, que chegou a ser internado, mas recebeu alta médica.
Ambos os pacientes apresentaram graves manifestações neurológicas associadas à infecção.
Já no estado de São Paulo, as autoridades confirmaram dois casos em território paulista. Os registros ocorreram no interior, sendo de uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e uma jovem, de São José do Rio Preto, que está internada sob cuidados médicos.
A origem do contágio nos dois casos paulistas segue sob investigação pelas equipes de saúde, com diagnósticos confirmados por exames laborais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.
Como ocorre a transmissão?
A Febre do Nilo Ocidental é classificada como uma zoonose. O vírus da doença é transmitido principalmente por meio da picada de mosquitos infectados, em especial do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo comum.
O ciclo se mantém na vida silvestre entre insetos e aves silvestres, que funcionam como os hospedeiros naturais e amplificadores do vírus.
Os mosquitos se contaminam ao se alimentarem dessas aves infectadas e, posteriormente, transmitem o vírus ao picar seres humanos, equinos (cavalos), macacos e outros mamíferos.
O vírus não é contagioso, ou seja, não passa diretamente de pessoa para pessoa, nem de aves diretamente para humanos.
No entanto, o Ministério da Saúde aponta que existem formas mais raras de contágio relacionadas ao contato direto com o sangue, como transfusão de sangue, transplante de órgãos, transmissão transplacentária (da mãe para o feto durante a gestação) e aleitamento materno.
Sintomas e complicações
De acordo com as autoridades de saúde, a maioria das infecções é assintomática. Apenas cerca de 20% dos indivíduos infectados desenvolvem sintomas, que na maioria dos casos são considerados leves e se assemelham aos de outras arboviroses conhecidas, como a dengue.
Alguns dos sintomas são febre aguda acompanhada de mal-estar geral, dor de cabeça e dores musculares, náuseas, vômitos, perda de apetite, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas pelo corpo e aumento dos linfonodos.
Por outro lado, em um pequeno número de infectados, a doença pode atingir o sistema nervosos central, que pode evoluir para quadros neurológicos severos de meningitem encefalite ou paralisia flácida aguda.
Os sintomas de gravidade neurológica envolvem fraqueza muscular extrema, alterações no padrão mental e alteração de consciência. O risco de evolução para o óbito e de desenvolvimento de sequelas neurológicas permanentes é significamente maior em idosos, indivíduos imunossuprimidos, pacientes oncológicos e transplantados.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não existe tratamento antiviral específico ou remédio direcionado para curar a Febre do Nilo Ocidental. Quando o paciente apresenta um quadro leve a moderado, usam-se medidas de suporte como hidratação rigorosa e medicamentos sintomáticos para controle de febre e diminuição da dor.
Já nos casos mais graves com complicações neurológicas, é necessário que o paciente seja tratado sob cuidados intensivos em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
Também não há vacinas aprovadas para uso em humanos contra a doença. Diante disso, as principais estratégias concentram-se em ações individuais de prevenção e no contole de vetores.
Entre elas estão o uso regular de repelentes de insetos, instalação de telas protetoras em portas e janelas, uso de roupas compidas para diminuir a exposição da pele, eliminação de focos de água parada, evitar o manuseio de animais mortos e manter ambientes limpos.

