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O que está por trás do pedido de recuperação do Habib’s?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
O que está por trás do pedido de recuperação do Habib’s?

O Grupo Gennius – dono de marcas como Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill – descreveu em seu pedido de recuperação judicial que, nos últimos anos, as empresas da holding “passaram a enfrentar um conjunto de adversidades econômicas e financeiras que impactaram significativamente a sua estrutura de capital e liquidez”.

São descritos no documento três principais motivos que levaram à necessidade de reestruturação. Explicamos quais são a seguir:

1. Pandemia

O primeiro fator que o pedido de recuperação judicial destaca como causador da crise do grupo foi a pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2022.

“Ali, sem dúvidas, começou a se verificar um descompasso entre os investimentos feitos – lojas e mais lojas do Grupo Gennius para atender à demanda aos grandes centros de aglomeração, como shoppings centers e centros urbanos das principais cidades brasileiras – e a receita obtida”, explica o documento.

“Ainda que as restrições sanitárias tenham sido posteriormente flexibilizadas, os efeitos da pandemia revelaram-se permanentes em diversos aspectos”, pondera.

Um dos exemplos que o Grupo Gennius busca apontar é que o modelo de trabalho híbrido e remoto, ao reduzir a circulação diária de trabalhadores nos centros urbanos, quebrou o fluxo de consumidores que iam às lojas “durante seus deslocamentos cotidianos”.

2. Mais delivery, menos idas ao restaurante

Ademais, como consequência da pandemia, o grupo aponta que houve “uma mudança dos hábitos de consumo que impactou diretamente o setor de fast-food”.

“Tal alteração foi em muito disseminada pelas plataformas de marketplace de restaurantes. Embora tenham sido grandes aliadas das Requerentes na venda de seus produtos, levaram à compressão das margens dos restaurantes físicos”, pontua.

Ou seja, as pessoas deixaram de ir ao restaurante e passaram a pedir mais comida em casa.

“Em suma, o setor passou a observar, em diferentes mercados e regiões, alterações relevantes no comportamento de seus consumidores, caracterizadas pela redução da frequência de visitas nas lojas físicas, circunstâncias que impactaram negativamente seus resultados operacionais”, conclui.

3. Juros altos

Por fim, um fator determinante que a empresa apontou foi “o cenário macroeconômico extremamente adverso”. O pedido descreve o período em que a taxa básica de juros, a Selic, foi elevada “abruptamente” até 15% ao ano.

“O ciclo de elevação das taxas de juros observado nos últimos anos aumentou substancialmente o custo de captação de recursos necessários à manutenção de suas atividades, à administração de seu capital de giro e ao cumprimento regular de suas obrigações financeiras”, indica.

“Com isso, o custo das dívidas contraídas pelas Requerentes, em sua esmagadora maioria à época da pandemia, tiveram um aumento expressivo e inesperado nas taxas de juros, impactando fortemente seu capital de giro, gerando ainda inadimplências com alguns de seus fornecedores e problemas em sua operação.”

Consequentemente, o grupo informa no pedido de recuperação que possui dívida bancária superior a R$ 300 milhões com diversas instituições financeiras.

“Diante do endividamento bancário elevado, parcela cada vez maior do fluxo de caixa gerado pelas atividades da companhia passou a ser absorvida pelo serviço da dívida,
limitando sua capacidade de investimento, restringindo sua flexibilidade financeira e agravando o quadro de desequilíbrio econômico-financeiro que culminou no presente pedido recuperacional”, conclui.

Com fins de negociar a dívida, a empresa já havia entrado com pedido de concessão de tutelas cautelares de urgência, visando proteger temporariamente sua operação, suspendendo cobranças e execuções antes mesmo do pedido oficial de recuperação.

Agora, os advogados do Grupo Gennius afirmaram que o prazo prévio de 60 dias de proteção patrimonial ajudou a “construir um ambiente de negociações entre as Requerentes e seus credores”.

“Assim, suspenderam-se as execuções judiciais e medidas administrativas coercitivas/constritivas decorrentes e/ou relativas aos créditos que eventualmente se sujeitariam a uma recuperação judicial”, diz o pedido.

Contudo, o documento expõe que apesar de o período de tutela cautelar ter promovido “algum fôlego financeiro” e criado o “ambiente propício para uma negociação coletiva”, este não foi suficiente.

Com o andar da carruagem, o grupo notou a “necessidade de se promover uma restruturação global” de seu endividamento, “vislumbrando-se a recuperação judicial como meio mais eficiente”.

Expectativa

Apesar do cenário turbulento, o grupo destaca que a medida faz “parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo”, e acredita que vai superar a situação.

“Por sua vez, a expertise das Requerentes no setor alimentício, somado à reestruturação do Grupo Gennius e os sinais de retomada do mercado após um cenário de aumento expressivo dos juros, evidenciam a viabilidade econômico-financeira do Grupo”, pontua o documento.

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