O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está articulando nos bastidores um acordo para suspender a chamada “taxa das blusinhas”, movimento que, segundo a analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Live CNN, já estava alinhavado há algum tempo. O anúncio deve ocorrer logo após um almoço com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O contexto da taxa das blusinhas
O governo federal abraçou anteriormente a bandeira da taxação de importações baratas, cedendo a pressões de setores da economia afetados pela entrada de produtos como roupas e outros artefatos provenientes de países como a China, comercializados por plataformas como Shein e Shopee.
A medida também tinha como pano de fundo a busca pelo equilíbrio das contas públicas e o reforço da arrecadação federal.
A bandeira foi defendida internamente pelo então ministro da Fazenda Fernando Haddad, que amargou um expressivo desgaste político ao abraçar a proposta. Segundo Clarissa Oliveira, Haddad “aceitou esse desgaste em nome do equilíbrio das contas públicas e da proteção das empresas afetadas”.
Motivação eleitoral
A decisão de reverter a taxação está diretamente ligada ao calendário eleitoral. Lula, que sempre demonstrou resistência à medida por preocupações com seu impacto junto à opinião pública, argumentava nas conversas reservadas que a taxa não onera os mais ricos, mas sim os consumidores que se beneficiam de produtos competitivos e de baixo custo.
“Não dá para deixar isso aqui prejudicando a minha popularidade em tempos de eleição, então vamos suspender”, teria dito Lula, segundo a analista.
A medida provisória já foi enviada ao Congresso Nacional e está em vigor, mas precisa ser aprovada para continuar valendo. Para isso, o governo depende do apoio de Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Clarissa Oliveira destacou que o acordo deve ser confirmado logo após o almoço, com um anúncio marcado pela cooperação entre os Poderes, típica de períodos eleitorais.
Desgaste político recai sobre Haddad
A analista avalia que o movimento deixa o desgaste político no colo de Fernando Haddad, que defendeu a taxação e agora vê Lula reverter a medida. “Fica aquela imagem de que o Haddad taxou e agora o presidente Lula vai lá e retira a taxação”, afirmou Clarissa Oliveira.
Ela também ressaltou que não há garantias de que a cobrança não será retomada futuramente, o que já é debatido e estudado internamente pelo governo.

