O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sinalizou a países aliados nos últimos dias que, por enquanto, não se espera que os Estados Unidos lancem novos ataques contra o Irã e que, em vez disso, o país concentrará esforços em outras formas de pressão, incluindo as sanções, informou o Axios nesta terça-feira (25).
Rubio transmitiu o recado a ministros das relações exteriores de países aliados enquanto os Estados Unidos buscam sufocar a economia iraniana com o bloqueio naval e as sanções. Ele afirmou que os EUA não planejam retomar grandes operações militares, mas também não descartam retaliar se o Irã atacar primeiro, relataram fontes ao Axios.
Do outro lado, o diplomata iraniano Kazem Gharibabadi, número dois do ministério de Relações Exteriores, prometeu novas medidas contra os interesses americanos se os Estados Unidos seguirem adiante com as novas sanções.
O Irã denunciou as sanções americanas destinadas a isolar a sua economia como um ato de “flagrante ilegalidade“. O Ministério de Relações Exteriores classificou o embargo como uma ameaça ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas, afirmando que “a questão não se limita mais ao Irã”.
Em uma tentativa de enfraquecer a economia iraniana, os Estados Unidos ameaçaram no início desta semana punir países que continuarem fazendo negócios com o Irã, mas afirmaram que não imporiam as penalidades imediatamente.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, divulgou a nova rodada de sanções, que atinge 60 pessoas físicas, entidades e embarcações. A lista, no entanto, não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã.
Embora tenha afirmado que os países correm o risco de serem excluídos do sistema financeiro baseado no dólar se continuarem negociando com o Irã, Bessent se recusou a fornecer um prazo ou identificar possíveis alvos.
Em meio à pressão econômica exercida pelos EUA, o Irã disse ter retomado as negociações com o vizinho Omã para administrar o Estreito de Ormuz. Os países mantém conversas intermitentes há semanas sobre o controle do canal marítimo por onde passava um quinto do petróleo global antes do início da guerra. As discussões buscam estabelecer uma rota para navegação segura.
Por sua vez, o presidente americano Donald Trump voltou a dizer que todas as minas no estreito já haviam sido removidas.
Como mostrou a CNN, superpetroleiros têm desligado os transponders — dispositivo de rádio marítimo que transmite a identidade, a velocidade, o curso e a posição de um navio — para atravessar o estreito, com escolta militar dos EUA. A operação para evitar os ataques iranianos tem levado a um aumento do fluxo de petróleo por Ormuz, segundo o Departamento de Energia americano.
Apesar dos esforços, a travessia ainda apresenta riscos. Um petroleiro foi atingido nesta terça-feira por um projétil não identificado e ficou incapacitado a 17 km de Ash Shishah, em Omã, localizada na entrada do estreito, informou a UK Maritime Trade Operations, agência britânica que monitora a segurança do tráfego marítimo.
*Com informações da Reuters
Análise: Trump prometeu esmagar a economia do Irã. O que ele pode fazer?

