As escavações arqueológicas subaquáticas na Basílica de São Neófito, submersa no Lago İznik, antiga Niceia, na Turquia, trouxeram à tona evidências físicas sobre o culto aos primeiros mártires cristãos.
A relevância das descobertas coincide com o aniversário de 1700 anos do Concílio de Niceia, marco histórico que motivou a visita do Papa Leão XIV à região para um encontro com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I.
Evidências de martírio sob o presbitério
Identificado em 2014 pelo arqueólogo Mustafa Şahin por meio de fotografias aéreas, o templo do final do século IV foi erguido no local associado ao martírio de São Neófito, executado no ano 303 d.C. sob as perseguições do imperador Diocleciano.
Os pesquisadores identificaram moedas dos imperadores Valente e Valentiniano II, que auxiliam na datação da estrutura. No mesmo setor, análises antropológicas em restos mortais revelaram fraturas ósseas decorrentes de mortes violentas.
Segundo os relatórios científicos, estes achados confirmam que o complexo funcionava como um centro de peregrinação e memória de cristãos executados. Ao lado das sepulturas, também foram localizados túmulos infantis revestidos com azulejos e uma estrutura identificada como um batistério de águas profundas.
Preservação e o aniversário do Concílio
A basílica desabou após um terremoto no ano 740 d.C.. Nos séculos seguintes, a elevação gradual do nível do lago submergiu as ruínas, o que acabou por isolar e proteger as estruturas de saques e da erosão do tempo.
A celebração histórica do Concílio de Niceia resgata a importância da cidade, que sediou em 325 d.C. o encontro de trezentos bispos convocado pelo imperador Constantino para definir as bases do Credo cristão. Atualmente, a descida sazonal do nível do lago expõe partes da construção, permitindo novas investigações sobre as origens cristãs na região.

