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Cacau avança de forma sustentável na Amazônia, segundo Embrapa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Cacau avança de forma sustentável na Amazônia, segundo Embrapa

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) divulgou um mapeamento da produção de cacau na região amazônica que mostra que a expansão dessa cultura ocorre sem promover desmatamento no bioma.

O estudo foi desenvolvido com dados da plataforma TerraClass, do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e concluiu que o avanço da cultura cacaueira ocorreu em áreas desflorestadas até 2008, conforme a legislação prevista pelo Código Florestal.

Segundo a entidade, a produção em áreas desmatadas após a data representou apenas 3,9% da área cultivada no Pará e 2% em Rondônia.

Na avaliação do pesquisador-chefe do estudo, Adriano Venturieri, a cacauicultura na região apresenta um papel estratégico no âmbito socioambiental para a população local.

“Além de gerar renda para milhares de famílias rurais, a cultura tem a capacidade de recuperar solos alterados e devolver a produtividade a paisagens antes ocupadas por pastagens degradadas”, destacou o especialista que faz parte da Embrapa Amazônia Oriental.

Ao todo, o estudo mapeou 121 mil hectares, incluindo o estado do Pará e, pela primeira vez, detalhou áreas de cacau de Rondônia, contabilizando. 

A pesquisa concluiu que a agricultura familiar é responsável pelo avanço do plantio de cacau na região. A maioria das áreas são compostas por pequenas propriedades, de até cinco hectares. Neste perfil estão 84,65% das áreas de cacau do Pará e 99,4% das áreas de Rondônia.

O levantamento concluiu que o principal desafio da cultura na região não é apenas ampliar a produção, mas garantir qualidade territorial, governança e rastreabilidade da cadeia produtiva.

Pará

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a região Norte corresponde a 50% da produção nacional do fruto, cerca de 297 mil toneladas, liderada pelo estado do Pará (aproximadamente 137,5 mil toneladas).

A pesquisa concluiu que, entre 2022 e 2024, a área de produção de cacau no estado expandiu de 87,3 mil hectares para 116,4 mil hectares, uma alta de 33,26%. O estudo indica que essa expansão aconteceu predominantemente na forma de cultivo a pleno sol (63%, cerca de 18,3 mil hectares), enquanto a produção em SAFs (Sistemas Agroflorestais) representou 37% (10,7 mil hectares).

Segundo o mapeamento, a produção no estado se concentra em 61 municípios, com destaque para Medicilândia (35.203 ha), Uruará (17.024 ha), Brasil Novo (10.162 ha), Altamira (7.301 ha) e Tomé-Açu (6.981 ha). Os dez maiores municípios produtores do estado concentram 86% da área plantada.

Rondônia

O estudo apresentou pela primeira vez o “raio-x” da produção de cacau no estado e concluiu que o cultivo ocorre em 51 municípios, somando 5,36 mil hectares. Ao contrário do Pará, a produção em Rondônia ocorre predominantemente sob o formato de SAFs (61,88%, cerca de 3,32 mil hectares), enquanto o cultivo a pleno sol responde por 2,03 mil hectares (38,82%).

No estado, a produção está em quatro municípios principais: Jaru é o destaque (832,13 ha), seguido por Porto Velho (352,87 ha), Theobroma (305,43 ha) e Ouro Preto do Oeste (297,41 ha).

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