A gigante petroquímica Braskem entrou para a lista de empresas que pediram socorro aos credores e justiça para manter renegociar suas dívidas no ano de 2026.
A companhia alega dívidas que somam R$ 56 bilhões, na conversão (US$ 10,9 bilhões) e adicionou que, assim que formalizados os documentos pertinentes, fará o protocolo do pedido.
A decisão anunciada hoje foi pressionada por um momento econômico desafiador.
O setor petroquímico enfrenta excesso de oferta global, margens menores e demanda fraca. Na Braskem, o custo dos produtos vendidos chegou a consumir cerca de 96% da receita líquida.
Em Alagoas, o afundamento do solo associado à exploração de sal-gema gerou um passivo bilionário e, em junho, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no caso. As ações da Braskem caíram quase 15% naquele pregão.
Além disso, a estrutura de capital também aumentou a pressão sobre o caixa, o que pode ter estimulado a necessidade de um plano de reestruturação.
A Braskem, no entanto, não é a única empresa que pediu por recuperação. Somente neste ano, outras quatro gigantes de diversos setores precisaram recorrer aos mecanismos de recuperação extrajudicial e judicial.
A seguir, relembre os casos.
Casas Bahia
Na semana passada, o grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em meio à uma crise financeira e fechamento de lojas. Conforme fato relevante divulgado no domingo (16), a decisão foi tomada devido à piora das condições financeiras da companhia.
O pedido recuperação veio após a companhia registrar um prejuízo de R$ 10 bilhões de reais no segundo trimestre, 18 vezes maior ante o mesmo período do ano passado.
Após adiar por duas vezes a divulgação dos resultados financeiros, as Casas Bahia também confirmou, no balanço, o fechamento de 298 lojas.
No documento enviado à CVM (Comissão de Valores Imobiliários), o grupo afirmou que foi impactado por um “ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito e aumento do custo financeiro”.
Apesar do pedido, dessa vez, ter sido por recuperação judicial, em abril de 2024, a varejista já havia pedido recuperação extrajudicial para dívidas que somavam R$ 4,1 bilhões.
O Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano apresentado pela companhia após dois meses.
Mesmo tendo utilizado o primeiro instrumento, as dívidas continuaram a atingir o desempenho da Casas Bahia, pressionando a empresa para protocolar um pedido judicial.
Marabraz
Um dia antes do anúncio da Casas Bahia, as Lojas Marabraz, famosa rede de móveis e eletrodomésticos, também protocolou pedido de recuperação judicial.
De acordo com a petição encaminhada à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Estado de São Paulo pelo escritório Campana Pacca, o pedido foi feito em caráter de urgência e envolve dívidas da ordem de R$ 140 milhões.
O documento mostra que, para além dos efeitos da alta persistente do juro, os problemas da Marabraz derivam ainda de disputas societárias e familiares.
Outros fatores que contribuíram para a sua crise e que atingiram vários varejistas do mesmo segmento são a retração do consumo, o aumento da inadimplência e as transformações decorrentes da digitalização do comércio.
Raízen
Também ligada ao setor de infraestrutura, Raízen, produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, protocolou um plano de recuperação extrajudicial em março deste ano.
À época, a empresa contava com o apoio de credores representando mais de 40% da dívida maior que R$ 60 bilhões. Posteriormente, o plano teve adesão elevada para 81,6%.
Dentre os credores, os bancos concentram cerca de metade da dívida, enquanto bondholders, detentores de CRAs e debenturistas respondem pela outra metade. Ambos correspondem a 40% do montante.
A recuperação extrajudicial suspendia apenas o serviço das dívidas financeiras, enquanto os pagamentos a fornecedores seguem normalmente, segundo a reportagem.
Em julho, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo Justiça de São Paulo, homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial apresentado.
Pão de Açúcar
Em março de 2026, o GPA, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar, anunciou que firmou acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial.
De acordo com fato relevante do varejista, o plano abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia, no montante total de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
À época, o acordo teve autorização unânime do conselho de administração.
Um dia depois do anúncio, o grupo comunicou ao mercado que a justiça aceitou o pedido de recuperação extrajudicial da companhia, com o deferimento do processo pelo Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.
Há poucos dias, o GPA divulgou, em fato relevante, que a companhia obteve aprovação dos principais termos e condições para a emissão das novas debêntures após início do processo de recuperação extrajudicial da empresa.
A aprovação foi cedida por mais da metade dos credores sujeitos ao plano de recuperação. Dessa quantidade, dois terços dos credores escolheram, como forma de pagamento, a opção que envolve a contribuição de novos recursos para o GPA.
“A aprovação representa uma etapa importante para implementação da solucção de reestruturação financeira prevista no Plano”, afirmou a empresa no fato relevante divulgado.
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