A Turquia anunciou nesta sexta-feira (21) que buscaria a emissão de um alerta vermelho da Interpol para a prisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no âmbito de um processo criminal interno relacionado a um ataque contra ativistas que tentavam levar ajuda humanitária a Gaza.
Membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Turquia tem sido uma das nações críticas mais ferrenhas da ofensiva de Israel em sua campanha em Gaza e já havia emitido mandados de prisão nacionais contra Netanyahu devido à guerra na região. O país tem solicitado repetidamente medidas internacionais contra Israel em razão do que Ancara classifica como violações dos direitos humanos e do direito internacional. Israel nega essas acusações.
Em maio, forças israelenses abriram fogo contra pelo menos duas embarcações da flotilha “Global Sumud” que navegavam em direção a Gaza, em uma nova tentativa de entregar ajuda ao enclave, após missões anteriores terem sido interceptadas por Israel em águas internacionais.
Na ocasião, 3 brasileiras em outros barcos chegaram a ser detidas pelas autoridades de Israel.
Em uma publicação na rede social X, o ministro da Justiça da Turquia, Akin Gurlek, afirmou que mandados de prisão foram emitidos contra Netanyahu e outro suspeito, sob acusações que incluem genocídio, crimes contra a humanidade e tortura, como parte de um processo contra 35 pessoas referente à interceptação israelense em águas internacionais.
Gazze’ye insani yardım ulaştırmak amacıyla yola çıkan Küresel Sumud Filosu aktivistlerine uluslararası sularda gerçekleştirilen saldırıya ilişkin yargı süreci kararlılıkla devam etmektedir. İstanbul 11. Ağır Ceza Mahkemesinin 2026/108 Esas sayılı dosyasında, aralarında Binyamin…
— Akın Gürlek (@abakingurlek) 21 de agosto de 2026
“Em conformidade com os mandados de prisão emitidos contra Benjamin Netanyahu… nosso Ministério da Justiça solicitou ao Ministério do Interior a emissão de alertas vermelhos (da Interpol) para que eles possam ser procurados internacionalmente”, disse Gurlek.
A Turquia utilizará todos os mecanismos legais disponíveis para garantir que Israel seja responsabilizado por seus crimes em Gaza, acrescentou ele.
Um alerta vermelho é uma solicitação feita a forças policiais de todo o mundo para localizar e prender provisoriamente uma pessoa, aguardando sua extradição.
A Interpol analisa as solicitações enviadas pelos países-membros antes de decidir se emitirá ou não os alertas vermelhos.
Brasileiras a bordo da flotilha

Três brasileiras estavam a bordo da Flotilha Global Sumud que foi interceptada por forças israelenses no dia 18 de maio. Ariadne Teles, Beatriz Moreira de Oliveira e Thainara Rogério faziam parte do grupo que tinha Gaza como destino.
As brasileiras afirmaram que faziam uma missão legítima para romper o “cerco ilegal” a Gaza. Elas também acusaram Israel de realizar a interceptação de maneira violenta e pediram ao governo brasileiro para garantir a libertação e a livre passagem da flotilha.
Em nota, a organização afirmou que os participantes foram transportados pelos militares israelenses para um porto na Palestina ocupada. A nota diz que centenas de participantes foram apreendidos – entre eles, médicos, jornalistas e pessoas de mais de 40 nações.
As três mulheres retornaram ao Brasil pouco mais de uma semana depois.
Israel classifica medida como “patética”
Questionado sobre a declaração de Gurlek, o gabinete de Netanyahu afirmou: “A tentativa patética de (do presidente turco Tayyip) Erdogan de intimidar os líderes e soldados de Israel — a única democracia verdadeira no Oriente Médio — não levará a lugar algum.”
A Turquia e Israel também trocaram críticas nesta semana em relação à Síria, onde Israel realizou ataques aéreos contra uma base aérea, local para o qual, segundo Israel, tropas turcas poderiam ser enviadas, provocando condenação por parte de Ancara e críticas dos Estados Unidos.
A Síria declarou que não havia planos para o envio de tropas turcas à base. A influência da Turquia na Síria, na qualidade de aliada do presidente sírio Ahmed al-Sharaa, tem gerado preocupação em Israel desde que Sharaa derrubou o veterano líder Bashar al-Assad em 2024.
Ancara afirmou que a retórica israelense contra a Turquia e suas ações na Síria é alimentada pela proximidade das eleições parlamentares em Israel, marcadas para outubro.
(Com informações da Reuters)*
Comissão da ONU aponta genocídio em Gaza com ataques de Israel a crianças

