O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, divulgou nas redes sociais a construção de um centro de enforcamento para executar condenados à pena de morte. O anúncio ocorre meses após o Parlamento aprovar a lei que impõe pena capital a palestinos condenados em tribunais militares por atos de terrorismo.
“Esta é a instalação. Neste lugar, os terroristas serão executados. Corda de enforcamento, cabine de observação, para que as vítimas do crime possam vir e assistir, [como] nos Estados Unidos”, afirmou o ministro do governo Benjamin Netanyahu em vídeo nas redes sociais.
“E nós estamos cumprindo o que prometemos. Vejam, houve quem desdenhasse, houve quem risse, [mas] este lugar está começando a ser construído. A instalação está sendo construída”, acrescentou.
Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por איתמר בן גביר | ITAMAR BEN GVIR (@otzma_yehudit)
O Parlamento de Israrel, Knesset, aprovou em março a lei que torna pena de morte a sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais. A legislação não se aplica a cidadãos israelenses, que são julgados em tribunais civis, não militares.
A medida era uma das principais campanhas dos aliados de ultradireita de Benjamin Netanyahu.
A lei prevê a pena por enforcamento dentro de 90 dias, sem direito a clemência, mas com a possibilidade de trocar e pena de morte por prisão perpétua.
Essa opção foi incluída a pedido de Netanyahu, com o objetivo de amenizar a reação internacional ao projeto, elaborado por Ben-Gvir.
Apesar da tentativa do primeiro-ministro, a pena de morte para palestinos foi amplamente criticada pela comunidade internacional. A ONU afirmou que a lei viola do direito internacional e pediu revogação.
Cerca de 54 países ao redor do mundo permitem a pena de morte, incluindo um pequeno número de democracias, como os Estados Unidos e o Japão, segundo a Anistia Internacional. O grupo afirma que a tendência global em relação à pena de morte é a abolição, com 113 países tendo proibido sua aplicação para todos os crimes.
O grupo israelense de direitos humanos B’Tselem afirma que os tribunais militares na Cisjordânia, onde palestinos são julgados por supostos crimes, apresentam uma taxa de condenação de 96% e têm histórico de obter confissões por meio de tortura.
Ben-Gvir, condenado em 2007 por incitação racista contra árabes e apoio ao grupo Kach, listado como terrorista em Israel e nos EUA, supervisionou uma reforma nas prisões que levou a denúncias de abuso de prisioneiros palestinos. Ele fez da pena de morte uma das principais promessas de campanha na última eleição, em 2022.
Os israelenses voltarão às urnas em 27 de outubro. Será a primeira eleição desde que o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, desencadeou a guerra em Gaza.
Pesquisas recentes apontam que Benjamin Netanyahu caminha para uma derrota. Mas a formação de governo tende a ser complexa, com um sistema político fragmentado, e os levantamentos também não apontam um caminho claro de poder para os adversários de Netanyahu.
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