O Flamengo alcançou uma marca expressiva na temporada. A vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, na noite desta quarta-feira (19), no Maracanã, colocou o clube nas quartas de final da Copa Libertadores e levou 72.400 torcedores ao estádio. O número representa o maior público do Rubro-Negro em 2026 e superou até mesmo o registrado no amistoso entre Brasil e Panamá, disputado antes da Copa do Mundo, que teve 72.140 espectadores.
Com o público da partida pela Libertadores, o Flamengo também ultrapassou a marca de 1 milhão de torcedores como mandante no ano. Ao todo, 1,038 milhão de pessoas já passaram pelo estádio para acompanhar os jogos do clube.
O número está distribuído entre cinco competições. O Campeonato Brasileiro concentra 609.844 torcedores, seguido pela Libertadores, com 215.632. O Campeonato Carioca registra 103.956, enquanto a Recopa Sul-Americana soma 64.470. Na Copa do Brasil, foram 44.292 espectadores no duelo contra o Vitória.
As operações realizadas no Maracanã, que receberam públicos superiores a 70 mil pessoas nos jogos do Flamengo e da seleção brasileira, foram conduzidas pela FutebolCard, plataforma de gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor.
Para Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, esses processos tem a ver com o pioneirismo adotado com novas tecnologias, que transformaram o acesso aos estádios em soluções práticas e seguras aos torcedores.
“É uma combinação que em muitos casos envolve venda, controle de acesso e o relacionamento direto com sócios-torcedores e torcedores comuns. A atuação acontece de forma integrada entre os parceiros, unindo tecnologia, inteligência de dados e atendimento estratégico. Tudo isso, no resultado final, leva conforto e rapidez ao consumidor final”, explica.
A experiência oferecida ao público também passou a ocupar espaço relevante na operação dos grandes jogos. Credenciada pelo Flamengo desde 2025 e parceira oficial da Conmebol há cinco anos, a Absolut Sport trabalha com pacotes que podem incluir ingressos em áreas premium, transporte de ida e volta a partir de hotéis do Rio de Janeiro, estacionamento credenciado no complexo do Maracanã, atendimento bilíngue e suporte presencial.
Entre as opções está o Maracanã Mais, setor central próximo aos bancos de reservas, com assento marcado, buffet e bebidas não alcoólicas liberados.
“Os números do Flamengo são impressionantes e demonstram a força da sua torcida. Para equipes com uma demanda como essa, a hospitalidade esportiva cria novas possibilidades de relacionamento com o público e também de geração de valor a partir da experiência. Já realizamos esse serviço junto ao clube desde o ano passado e o número de flamenguistas que atendemos tem crescido a cada jogo. Ou seja, há uma crescente na busca por conveniência e conforto entre os torcedores e o Flamengo é uma representação real desse movimento”, afirma Joaquim Lo Prete, General Manager da ABSOLUT Sport no Brasil, agência que levou mais de mil torcedores para o jogo entre Flamengo e Cruzeiro pela Conmebol Libertadores, na quarta-feira (19).
Bilheteria se aproxima de R$ 70 milhões em 2026
O forte movimento nas arquibancadas também se reflete nas finanças do Flamengo. Em 2026, o clube já arrecadou R$ 69,122 milhões apenas com bilheteria nos jogos como mandante.
O Campeonato Brasileiro responde pela maior parcela, com R$ 34,687 milhões. Na Libertadores, o valor chega a R$ 17,623 milhões. A Recopa Sul-Americana rendeu R$ 8,692 milhões, enquanto o Campeonato Carioca soma R$ 5,069 milhões e a Copa do Brasil, R$ 3,048 milhões.
A renda da Supercopa não entra nessa conta porque a arrecadação da partida fica com a CBF.
As receitas de matchday, que incluem bilheteria, exploração do Maracanã e o programa de sócio-torcedor, já ocupam uma posição relevante na estrutura financeira do clube. Em 2025, o Flamengo arrecadou R$ 322 milhões nessa frente, alta de 26% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o clube registrou receita bruta recorde de R$ 2,089 bilhões, segundo o balanço divulgado ao fim do ano passado.
“Os números do Flamengo mostram uma mudança importante na forma como os clubes podem enxergar o dia de jogo. O estádio não é apenas o lugar onde a partida acontece, mas o ponto de encontro de uma série de negócios que, quando bem coordenados, aumentam o valor gerado por cada torcedor. A capacidade de receber grandes públicos, oferecer diferentes níveis de experiência e operar esses fluxos com eficiência passa a ter impacto direto no resultado financeiro. No fim, não se trata apenas de colocar mais pessoas dentro do estádio, mas de fazer com que toda a jornada do torcedor seja melhor aproveitada pelo clube”, analisa Victor Schildt, professor de MBA em infraestrutura esportiva e CFO da Recoma.
A estratégia vai além dos dias de partida, segundo Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality. Para ele, a estrutura dos estádios pode ser explorada também em períodos sem jogos.
“Hoje, o estádio precisa ser pensado como um ativo que vai muito além dos 90 minutos. O jogo continua sendo o grande ponto de encontro com o torcedor, mas existe uma oportunidade enorme de fazer com que esse espaço permaneça vivo durante toda a semana, com gastronomia, entretenimento, eventos corporativos, shows e experiências. Quando oferecemos serviços como open food, open bar, churrasco e atrações de entretenimento, criamos novas razões para o público frequentar o estádio e fazemos com que ele deixe de ser um espaço utilizado apenas nos dias de partida. O objetivo é transformar essas estruturas em destinos de lazer e convivência, capazes de gerar valor para os clubes durante todo o ano”, afirma Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality.
Para Moises Assayag, especialista em finanças no futebol e sócio-diretor da Channel Associados, a escala da torcida flamenguista abre espaço para novas formas de monetização.
“Mais do que o valor absoluto arrecadado, o que chama atenção no Flamengo é a capacidade de transformar escala de torcida em receita recorrente. Um milhão de pessoas passando pelo estádio não representa apenas bilheteria: representa uma base de consumidores que pode ser monetizada em diferentes momentos e por diferentes produtos no contexto do evento do jogo em si . Isso é extremamente relevante porque aumenta o valor econômico de cada torcedor e reduz a dependência do clube de receitas concentradas em direitos de transmissão, transferências de atletas ou premiações. O desafio agora é aumentar o chamado ‘revenue per fan’, ou seja, quanto o clube consegue gerar, em média, a partir de cada torcedor que participa dessa jornada. É aí que bilheteria, sócio-torcedor, hospitalidade, consumo e experiências deixam de ser receitas isoladas e passam a funcionar como estratégia de monetização da torcida.”
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