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Análise: Receio com 2027 afasta estrangeiros de ativos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Análise: Receio com 2027 afasta estrangeiros de ativos

A percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil deteriorou-se de forma significativa nas últimas semanas.

Somente no mês de agosto, esses investidores retiraram R$ 18,1 bilhões em ações da B3, incluindo R$ 2,5 bilhões apenas no pregão do dia 14 de agosto, quando o Ibovespa registrou queda de 0,1%. O movimento resultou em 10 pregões consecutivos de queda do índice até aquela data.

Movimento vai além da Bolsa

A analista Lucinda Pinto destacou que a fuga de capital não se restringe ao mercado acionário.

“O que está acontecendo é que, além dessa saída toda de dinheiro da Bolsa, a gente está vendo uma piora também de preços, por exemplo, de bonds, que são os títulos de dívida emitidos pelas companhias no exterior”, afirmou.

Segundo ela, gestores com quem conversou confirmaram uma perda de valor desses papéis no mercado secundário desde a última sexta-feira (14).

Lucinda Pinto apontou que episódios envolvendo empresas como Raízen e Braskem contribuíram para abalar a confiança dos investidores internacionais nas companhias brasileiras.

A Raízen, classificada como high grade, passou por sérios problemas com sua dívida e iniciou um processo de reestruturação com venda de ativos.

“Depois desses episódios, parece que o investidor deixou de dar o benefício da dúvida para as companhias brasileiras”, avaliou a analista.

Mais recentemente, o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia também foi citado como um evento emblemático desse cenário de dificuldades.

Cenário para 2027 preocupa mercado

De acordo com Lucinda Pinto, o mercado está operando com um cenário consideravelmente mais pessimista para 2027. A combinação de incertezas eleitorais, ausência de perspectiva de ajuste fiscal robusto e juros elevados por um período prolongado está afastando o capital estrangeiro dos ativos brasileiros.

“Eleição é uma dúvida muito grande, não tem sinais de que vai ter um ajuste fiscal suficiente para mudar a dinâmica da dívida do Brasil e, portanto, esse cenário de juros altos deve permanecer por mais tempo”, explicou a analista.

O impacto dos juros elevados já começa a ser sentido na atividade econômica, com o IBC-Br registrando variação negativa. Lucinda Pinto ressaltou que, mesmo títulos atrelados ao IPCA oferecendo juro real próximo de 8% ao ano, os investidores demonstram cautela e preferem papéis de prazo mais curto.

“A aversão a risco ficou mais instalada”, afirmou. Além disso, um leilão de títulos prefixados realizado na quinta-feira anterior movimentou apenas R$ 1 bilhão, volume considerado baixo diante das necessidades de rolagem da dívida pelo Tesouro Nacional.

Investidores buscam alternativas em outros mercados

Segundo Lucinda Pinto, o investidor estrangeiro conta com opções atrativas em outros mercados neste momento, como ações de tecnologia e países emergentes que oferecem juros relativamente altos com menor grau de incerteza.

“Para o investidor estrangeiro, no fim das contas, o problema é a imprevisibilidade”, disse a analista. Ela acrescentou que o ambiente atual leva empresas e investidores a adiar decisões, mantendo recursos em caixa à espera de um cenário mais previsível.

Apesar da intensa saída de capital em agosto, o saldo acumulado de investimentos estrangeiros no ano ainda permanece positivo em R$ 18,2 bilhões. No entanto, caso o ritmo de retiradas se mantenha até as eleições, previstas para o final de outubro, esse saldo positivo pode ser rapidamente consumido.

“A palavra que eu tenho ouvido muito é desânimo. Parece que o investidor como um todo está olhando e sentindo um desânimo”, concluiu Lucinda Pinto.

Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

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