O grave acidente envolvendo um caminhão e um micro-ônibus, que deixou ao menos 23 mortos e cinco feridos em Ipiranga, nos Campos Gerais do Paraná, é investigado pela Polícia Civil. Pacientes, médicos e duas crianças estão entre os mortos.
Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), evidências preliminares apontam que o caminhão teria invadido a pista contrária e batido de frente com o ônibus. A colisão ocorreu por volta das 3h30 no km 209 da rodovia federal, nesta quarta-feira (19).
O coletivo era da Secretaria de Saúde de Imbituva (PR) e transportava pacientes, médicos e seus acompanhantes para hospitais da Grande Curitiba. A maior parte dos mortos, 13 mulheres, oito homens e duas crianças, estava dentro do micro-ônibus da prefeitura da cidade.
O caminhão que teria causado a batida seguia para a cidade de Prudentópolis, a cerca de 70 km de Ipiranga. O motorista do veículo faleceu. A CNN Brasil apurou que o veículo servia para o transporte de suínos, mas estava vazio no momento do acidente.
Os feridos foram encaminhados para diferentes unidades hospitalares para atendimento. Veja quem são:
- Edenilda Taymara Pereira de Medeiros, 26 anos – encaminhada à UPA Santa Paula, em Ponta Grossa;
- Assis Cabreira, 50 anos – encaminhado ao Hospital Universitário (HU);
- Menino de 6 anos – encaminhado ao HUMAI;
- Elio Antônio Rosa, 49 anos – encaminhado ao Hospital Universitário (HU)
- João Miguel Pereira, 22 anos – encaminhado à UPA Santa Paula, em Ponta Grossa
Os corpos serão transferidos para a sede da Polícia Científica em Ponta Grossa para identificação e necropsia.
A ocorrência contou com o atendimento de socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), da Polícia Militar e militares do Corpo de Bombeiros. A Via Araucária, concessionária da rodovia, mobilizou mais de 10 veículos operacionais, entre ambulâncias, equipes de inspeção e guinchos para o acidente que interditou a pista nos dois sentidos por mais de sete horas.
Acidente mais letal desde 2021
Segundo a PRF, a ocorrência desta quarta é o acidente de trânsito mais grave em rodovias federais no Paraná desde 2021.
Em janeiro de 2021, um ônibus tombou na BR-376 na região de Guaratuba, no litoral paranaense, e deixou 19 pessoas mortas e 33 feridas. O veículo saiu da pista e tombou na margem da rodovia, na altura do km 668, conhecido como Curva da Santa, quando descia a Serra do Mar.
Porém, o acidente de hoje não é o mais letal da história do estado. Por exemplo, em 29 de dezembro de 1993, um acidente com passageiros da Fazenda Rio Grande deixou 45 mortos.
Prefeitura decreta luto
A administração municipal de Imbituva, cidade com pouco mais de 30 mil moradores, decretou luto oficial de dois dias em respeito e homenagem às vítimas e seus familiares.
A Prefeitura informou que representantes do município realizam o atendimento às famílias e determinou a criação de uma Central de Atendimento Unificado, na Secretaria Municipal da cidade, para concentrar informações e oferecer suporte.
As aulas escolares do período da tarde na rede municipal foram canceladas por causa da tragédia. “A Prefeitura Municipal e os demais locais de atendimento administrativo estarão fechados nesta data, como forma de respeito e luto. Os serviços essenciais permanecerão funcionando normalmente, garantindo o atendimento à população”, informou em nota de pesar.
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Próximos passos: perícia e investigação
Com a retirada dos corpos, a Polícia Científica é responsável pela perícia técnica local para colher as primeiras evidências para apurar as causas do acidente. O trabalho é feito por equipes das Unidades de Execução Técnico-Científica (UETCs) de Ponta Grossa, Curitiba e Guarapuava.
Além da análise técnico-científica do local, para a obtenção dos elementos necessários para determinar as causas e a dinâmica do sinistro, as equipes realizam a localização, o registro, a coleta e a individualização das vítimas fatais e dos demais vestígios relacionados à ocorrência.
Após a coleta, essas informações são compartilhadas com a Polícia Civil, responsável pelo inquérito policial, que já investiga o caso. Os trabalhos incluem análise da perícia, câmeras de segurança, documentos e condições dos veículos envolvidos e a realização de oitivas de testemunhas que possam ajudar na investigação.
Em paralelo, a identificação das vítimas vai ocorrer na Unidade de Execução Técnico-Científica de Ponta Grossa, anexa ao Campus Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
O processo de identificação pode envolver a coleta e o confronto de informações com bases oficiais de identificação biométrica, entre outras técnicas técnico-científicas, e seu tempo de conclusão pode variar de acordo com o método necessário em cada caso.
Quase 85% dos acidentes em rodovias são causados por falha humana
