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Análise: Como ex-presidentes dos EUA lidaram com o Irã

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Análise: Como ex-presidentes dos EUA lidaram com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou nesta segunda-feira (17) que “o objetivo número um é, e sempre será, que o Irã não possa ter, de nenhuma maneira, forma ou circunstância, uma arma nuclear”, como já informamos.

Ele é o mais recente presidente americano a se deparar com um regime iraniano de linha-dura, enquanto a guerra entra agora em seu sexto mês.

Veja como alguns dos antecessores de Trump se relacionaram com Teerã:

Presidente Jimmy Carter

O presidente dos EUA Jimmy Carter e o líder chinês Deng Xiaoping são fotografados em Washington DC, Estados Unidos, em 30 de janeiro de 1979. • Gilbert UZAN/Gamma-Rapho/Getty Images via CNN Newsource

Quase dois anos depois de assumir a Presidência, Carter enfrentou a crise dos reféns no Irã, depois que 90 pessoas, incluindo 66 americanos, foram feitas reféns quando a embaixada dos EUA em Teerã foi tomada após a Revolução Iraniana.

No início da crise, Carter enviou autoridades americanas ao Irã para negociar a libertação dos reféns, mas o então líder supremo do Irã, aiatolá Khomeini, recusou-se a se reunir com eles.

A equipe de política externa de Carter “frequentemente parecia fraca e vacilante” durante a crise, segundo o Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos EUA.

Uma semana depois, Carter ordenou o congelamento dos ativos iranianos em bancos americanos. Em abril de 1980, quando apenas parte dos reféns havia sido libertada, Carter rompeu relações diplomáticas com o Irã, anunciou novas sanções e ordenou que todos os diplomatas iranianos deixassem os EUA.

A crise acabou sendo resolvida depois que autoridades americanas, por meio da Argélia, conseguiram negociar a libertação dos reféns.

Em 19 de janeiro de 1981, Estados Unidos e Irã assinaram um acordo para libertá-los e descongelar os ativos iranianos. Após mais de um ano em cativeiro e minutos depois de Carter deixar a Presidência, os reféns foram libertados.

Presidente Ronald Reagan

Ronald Wilson Reagan, 40º Presidente dos Estados Unidos (1981-1989) e 33º Governador da Califórnia (1967-1975) • Photo12/Universal Images Group via Getty Images

O sucessor de Carter, Ronald Reagan, declarou o Irã um “Estado patrocinador do terrorismo” em 1984. Mas, em 1986, seu governo começou a buscar secretamente maneiras de melhorar as relações com Teerã, apesar de apoiar o Iraque na guerra Irã-Iraque.

Reagan autorizou a venda de armas ao Irã com altos lucros, apesar do embargo, na esperança de que isso levasse à libertação de americanos mantidos como reféns no Líbano pelo Hezbollah, uma milícia com estreitos vínculos com o Irã. Parte dos recursos obtidos com a venda das armas foi desviada para os Contras, um grupo político minoritário da Nicarágua que lutava contra o governo esquerdista sandinista.

O escândalo ficou conhecido como caso Irã-Contras e veio à tona pouco antes das eleições legislativas de meio de mandato de 1986, representando uma enorme ameaça para Reagan e seu partido.

Segundo a PBS, quando o escândalo veio à tona, Reagan negou publicamente que qualquer operação tivesse ocorrido. Uma semana depois, voltou atrás em sua declaração, afirmando que não se tratava de um acordo de “armas por reféns”.

“Apesar de Reagan ter defendido as ações alegando que tinham boas intenções, sua honestidade foi colocada em dúvida”, explica a PBS. “Pesquisas mostraram que apenas 14% dos americanos acreditavam no presidente quando ele dizia que não havia trocado armas por reféns.”

Presidente Barack Obama

Barack Obama durante a Convenção Nacional Democrata em Chicago, Illinois, no dia 20 de agosto de 2024
Barack Obama durante a Convenção Nacional Democrata em Chicago, Illinois, no dia 20 de agosto de 2024 • Robert Gauthier/Los Angeles Times via Getty Images

Obama conseguiu negociar uma aproximação cautelosa com Teerã durante seu mandato, depois de prometer descongelar as relações entre os EUA e o Irã durante sua campanha presidencial de 2008.

Obama falou por telefone com o presidente iraniano Hassan Rouhani em 2013, na primeira conversa direta entre líderes de Washington e Teerã desde 1979, quando Carter conversou por telefone com o xá Mohammad Reza Pahlavi, antes de Pahlavi ser deposto.

Também em 2013, após anos de negociações, foi alcançado um acordo histórico que desacelerou o programa de desenvolvimento nuclear do Irã em troca do levantamento de algumas sanções que contribuíam para a estagnação da economia do país.

O JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), concluído dois anos depois, em 2015, limitou por 15 anos o enriquecimento de urânio pelo Irã e facilitou inspeções conduzidas pela ONU para garantir o cumprimento do acordo por Teerã. Em troca, algumas sanções sobre as receitas iranianas provenientes do petróleo foram suspensas, e bilhões de dólares em ativos foram descongelados.

Trump retirou os EUA do acordo durante seu primeiro mandato.